Teatro Grupo Magiluth inova em apresentação adaptada aos cômodos do Mamam A peça usa o térreo e os dois andares superiores do museu como palco, e o público é conduzido pelos espaços

Por: Juliana Aguiar - Diario de Pernambuco

Publicado em: 29/05/2019 12:06 Atualizado em: 29/05/2019 12:49

Apenas o fim do mundo, peça do Grupo Magiluth em cartaz no Mamam, desencadeia discussões em adaptação da obra do francês Jean-Luc Lagarce. Foto: Cacá Bernardes/Divulgação
Apenas o fim do mundo, peça do Grupo Magiluth em cartaz no Mamam, desencadeia discussões em adaptação da obra do francês Jean-Luc Lagarce. Foto: Cacá Bernardes/Divulgação
Após anos ausente da casa da família, o escritor Luiz retorna para comunicar aos pais e ao irmão que está prestes a morrer. O reencontro, apresentado no novo espetáculo do Grupo Magiluth, Apenas o fim do mundo, desencadeia discussões e resgata memórias silenciadas ao longo do tempo. A peça, que estreou no Sesc de São Paulo, entra em sua segunda semana de exibição no Recife, no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam), com apresentações a partir desta quarta até o domingo (2), às 20h. É a primeira vez que o equipamento recebe uma peça teatral.

Em comemoração aos 15 anos do coletivo teatral recifense, o novo trabalho propõe uma retrospectiva da trajetória do Magiluth. “Em uma data como essa, decidimos nos voltar para o início, repensar o que já foi feito e nos voltar ao que nunca foi dito”, explica o ator Giordano Castro, que compõe o grupo ao lado de Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Lucas Torres, Mário Sérgio Cabral e Pedro Wagner. O coletivo surgiu no início dos anos 2000 na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Depois de Dinamarca (2017) e O Ano em que sonhamos perigosamente (2015), que traziam forte teor político, o coletivo aborda a discussão por um outro viés na atual peça em cartaz. “Não deixamos de pensar política, só mudamos o ponto de partida. O foco da discussão agora se tornou o seio familiar, que é o princípio de tudo. Pensar em família é pensar em política, principalmente dentro do contexto social brasileiro”, relata. Uma série de conflitos familiares eclodem e a temática perpassa a obra de maneira implícita, abrindo inclusive espaço para discussão sobre o vírus HIV e a AIDS.

Foto: Cacá Bernardes/Divulgação
Foto: Cacá Bernardes/Divulgação

Ao invés do texto autoral, criado a partir dos jogos de cena, característica do grupo desde a criação, Apenas o fim do mundo aposta em uma adaptação de livro homônimo, escrito pelo francês Jean-Luc Lagarce nos anos 1990. A narrativa verborrágica do autor foi traduzida por Giovana Soar, da Cia Brasileira de Teatro, que dirige a peça ao lado de Luiz Fernando Marques. “Essa montagem é uma dramaturgia para ser ouvida, coloca o nosso trabalho de ator em um outro lugar, mas não é algo que fica longe do que fazemos. O jogo agora passa a ser a ressignificação do palco enquanto espaço físico”, explica Giordano.

Em quase duas horas de apresentação, a peça usa o térreo e os dois andares superiores do Museu como palco, e o público é conduzido pelos cômodos, montados dentro das salas do equipamento cultural. “É o nosso primeiro espetáculo itinerante e nos moldamos de acordo com a estrutura física do local. Estamos experimentando como é usar o espaço em toda sua potencialidade”, explica Giordano. A cada cena, os espectadores poderão experimentar os desconfortos e agonias encenadas imersos nos espaços juntos aos personagens. “Até o momento, o resultado tem sido muito bom, todas as sessões ficaram lotadas. Estamos muito felizes e acho que as pessoas estão gostando da experiência”, conta o ator. 

SERVIÇO
Espetáculo Apenas o Fim do Mundo, do Grupo Magiluth
Quando: de hoje a domingo, às 20h
Onde: Mamam (Rua da Aurora, 265, Boa Vista)
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia), à venda no site Sympla
Informações: (81) 3355-6871

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.


Últimas