Cinema Novo Alladin vai contra o que consagrou a Disney

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 23/05/2019 11:21 Atualizado em: 23/05/2019 11:06

Foto: Disney/Divulgação
Foto: Disney/Divulgação

A certa altura de Alladin, quando tudo parece perdido para o herói e para Jasmine, o palácio do sultão e todo o cenário do filme passam a ficar congelados. Os efeitos especiais só não afetam a princesa, que logo encara o espectador de frente e começa a cantar uma música com jeitão de hit pop, na qual resume seus infortúnios com ar de diva.

Enquanto a personagem deságua todo o seu sofrimento no novo filme da Disney, que estreia nesta quinta-feira (23) nos cinemas do país, o espectador fica incrédulo com o número cafona que está sendo apresentado. Dirigida por Guy Ritchie, a produção live-action (adaptações de desenhos e animações para filmes com atores reais) vai contra o que consagrou a Disney como uma das principais empresas de entretenimento do mundo, capaz de criar histórias que hipnotizam as crianças e, ao mesmo tempo, divertem os adultos.

Poucas coisas convencem. A atuação de Mena Massoud e de Naomi Scott, que dão vida a Aladdin e Jasmine, é frouxa. As canções remetem aos piores musicais. O cenário cria um mundo árabe tão convincente quanto um playground de condomínio fechado. Um dos principais alvos de fãs perturbados de internet, Will Smith não chega a comprometer na pele do Gênio. O ator é como aquela nota seis no boletim quando pensávamos que ficaríamos de recuperação. Mas é claro: quando colocamos a atuação de Smith lado a lado com a performance de Robin Williams no desenho original, parece que os dois estão praticando esportes diferentes. Williams consegue elevar a animação quase ao brilhantismo, Smith produz algumas cenas engraçadas.

Até as intervenções do diretor parecem gratuitas e pouco convincentes. A mudança no roteiro para que Jasmine sonhe em se tornar sultana não consegue ir além da tentativa de agrado ao #MeToo ou aos movimentos de empoderamento feminino. Aladdin escorrega na casca de damasco e acende um sinal amarelo para a maior expectativa do ano dentro desse universo: O Rei Leão, previsto para julho. 


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