Música BaianaSystem lança show de O Futuro Não Demora no Recife O pernambucano Otto - com um tributo aos 20 anos de seu primeiro disco - e os DJs PatrickTor4 e Mauh Lopes completam a programação do evento

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 18/05/2019 12:19 Atualizado em: 18/05/2019 18:07

Foto: BaianaSystem/Divulgação
Foto: BaianaSystem/Divulgação
O primeiro disco do BaianaSystem foi lançado em 2009, mas a visibilidade nacional do g r upo só c hegou em 2016 com Duas cidades. Para construir esse álbum, os soteropolitanos foram para a selva de pedra da capital paulista. Com produção geral de Daniel Ganjaman (responsável por álbuns de Planet Hemp, Sabotage e Criolo), acenderam a chama de um caldeirão de gêneros afro-latinos e nordestinos - com destaque para o pagode baiano e a guitarra baiana - com uma leitura basta nte eletrônica e pop.

Como o axé já tinha perdido seu protagonismo na mídia, a ascensão da banda foi lida como o surgimento de uma nova cena de Salvador, um “upload” cool da música baiana - algo semelhante ao manguebeat no Recife da década de 1990. E não conquistou o público apenas pela sonoridade singular, mas também por conseguir projetar uma certa ideia de ser um “movimento” ou “filosofia”, como um sound system que se instala em territórios para enaltecer a vitalidade desse Nordeste futurístico, crítico e emancipado.

Neste sábado (18), Russo Passapusso (voz), Roberto Barreto (guitarra) e Seko Bass (baixo) voltam ao Recife para o show de estreia do terceiro álbum, intitulado O futuro não demora (selo Máquina de Louco) e lançado em março deste ano. O evento será no Clube Português, Zona Norte do Recife, a partir das 21h. O pernambucano Otto - com um tributo aos 20 anos de seu primeiro disco - e os DJs PatrickTor4 e Mauh Lopes completam a programação.

Foto: Filipe Cartaxo/Divulgação
Foto: Filipe Cartaxo/Divulgação
Para produzir esse novo álbum, o BaianaSystem fez um movimento inverso ao anterior. Fugiram do caos da capital baiana rumo ao sereno da Ilha de Itaparica, banhada pela Baía de Todos-os-Santos. São lugares com estilos de vida distintos que dizem muito sobre a identidade de O futuro não demora. “Não tem nem um caráter de continuidade, porque foi tudo muito diferente. O Duas cidades teve como base nossos shows ao vivo e era muito dançante, caótico. Agora tivemos um processo de pré-produção gigante e apostamos em algo mais calmo e contemplativo. Sem falar dos recursos financeiros bem mais abundantes", explica, ao Viver, Roberto Barreto, responsável pela guitarra que entrelaça essa parafernália sonora.

"Foi um deslocamento importante que passamos. A Ilha de Itaparica nos inspirou a olhar, entender o que existia ao nosso redor. Fomos ouvindo cada etapa, cada pessoa que estava ali, buscamos material do Recôncavo Baiano”, continua Barreto. “São elementos que já são nossos de maneira mais forte. Temos o berimbau, o Mestre Jackson, que foi regente no estúdio, concedeu uma percussão de reggae. Manu Chao, Maestro Ubiratan Marques, BNegão, Curumin, Lourimbau e Antônio Carlos são outras que foram se envolvendo, trazendo uma ancestralidade sui generis".

Água, faixa inaugural, traz referências ao carioca Tom Jobim com uma poesia formosa sobre o ciclo aquático. Salve tem tom futurista, uma espiritualidade que conecta as culturas afro. “Telegrafaram nossa mensagem / Glorificando nossa nação / Quando toca ijexá tu não se casa, pede pra tocar tu se balança / Zulu Nation, Nação Zumbi, Ilê Ayê, Um Rumpilezz”, diz um trecho. Sulamericano, colaboração com Manu Chao, é aquele tipo de faixa que já nasce arraigada. É a mais latina e “clandestina”, como esse músico francês pede. Redoma e Saci trazem de volta aqueles beats eufóricos de Duas cidades, responsáveis pelas “rodinhas punks” tão desejadas nos shows.

Já pela referência à Nação Zumbi, fica claro que essa “irmandade” afro e nordestina não poderia deixar o Recife de lado. BaianaSystem já realizou inúmeras apresentações na capital pernambucana, onde mantém uma legião de fãs. “Na minha opinião, o Siba é um dos artistas brasileiros mais importantes dos últimos tempos. E o axé, por exemplo, surgiu depois que o Vassourinhas veio tocar em Salvador. O frevo, a ciranda e o manguebeat são sempre referências. A cada dia, vemos mais essas ligações entre Bahia e Pernambuco”, finaliza o guitarrista.

Ouça o álbum:



S E R V I Ç O
BaianaSystem lança O futuro não demora
Quando: sábado, às 21h
Onde: Clube Português (Avenida Conselheiro Rosa e Silva, 172)
Quanto: R$ 120 (inteira), R$ 60 (meia), R$ 65 + 1kg de alimento (social) e R$ 105 (mezanino open bar)



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