fotografias Expo 'Retratos de mãe', de Andréa Leal, celebra o poder transformador das histórias de Carol Levy

Por: Silvia Bessa

Publicado em: 10/05/2019 18:25 Atualizado em:

Foto: Divulgação
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Lucas era miúdo, garotinho de 4 anos que mal articulava as frases. A mãe Jaqueline tinha uma longa jornada de trabalho. Era graduanda, fazia curso integral de enfermagem e passava até 60 horas fora de casa cumprindo dois plantões. Mas só pensava em Lucas. “Eu sempre procurava qualquer espaço e desculpa para estar com ele e ocupar o tempo com coisa boa”, lembra. Jaqueline Soares da Silva encontrou como transformar o tempo curto em presença perene ao se deparar com a música “A Pulga”, de Carol Levy. Ficou surpresa com a capacidade que a letra tinha (tem) de abrir o saco diário de boas risadas dela e do filho. 

“A gente a ouvia e terminava em abraço, dando muita gargalhada. É uma lembrança muito boa que eu tenho. O momento que eu sentava para assistir Carol era dele, eu estava com ele de fato.” Lucas cresceu, tem agora 8 anos, e aquelas memórias seguem com mãe e filho como história real e feliz. Ao final, Jaqueline encontrou exatamente o que Carol recomenda - o prazer na narrativa. “Quando a gente sente emoção, a gente consegue transmitir isso quando lê”, ensina a renomada contadora. 

Já a história de Vinícius com as histórias Carol Levy leva a família à música “Embolando a língua”. Com ela, o menininho de 6 anos, que é autista, aprendeu a falar. “No primeiro momento em que Vinícius ouviu a música, ficou olhando para o céu com um sorriso lindo e fez uma carinha que faz quando gosta muito de alguma coisa”, lembra a mãe, Kallynka Pessoa Oliveira Ortins. “Hoje  chama ‘mamãe, mamãe’, para eu cantar junto”.

As histórias por trás das contações de Carol Levy são muitas e incríveis. Com um olhar apurado, a fotógrafa Andréa Leal resolveu homenageá-la este ano com a exposição fotográfica “Retratos de mãe” - esta que usou a língua materna como referência à época em que mães eram as únicas a educar seus filhos na primeira infância. Esta é a terceira edição da série “Retratos de mãe”, promovida desde 2017. Desta vez, são enfocadas onze mães que tiveram a vida especialmente tocadas e transformadas pelas histórias ou canções que Carol Levy conta ou canta. Essas mães viraram personagens para Andréa. Na expo, trazem a imagem de superação de obstáculos como o autismo, o preconceito, a depressão, o medo, a ausência, a insegurança.

Especialista em retratar partos e primeiros dias de bebês, Andréa diz que lhe faltava eternizar o momento em que a mãe põe o filho no colo e conta histórias para ele. “Para mim, essa é mais uma forma que as mães encontram de dizer ‘eu te amo’, de estimular, de se conectar, de estar presente pra sempre na vida e na memória afetiva dos seus filhos. Um momento que minha fotografia também merecia eternizar”. 

Como numa rede de mães, Andréa convidou um pool de autoras para transformar o projeto e dar mais cor e vida à mostra “Retratos de mãe”. Carol Levy, a homenageada, respondeu pela curadoria; a jornalista Cláudia Bettini atuou como coautora do projeto e conduziu a direção geral desse universo lúdico; e a artista plástica Luciana Maia fez intervenções nas fotos de Andréa Leal. 

O resultado das imagens da “Retratos de mãe”, que mais parecem ter saído de um livro instigante, pode ser visto em duas edições simultâneas da exposição, em cartaz no Recife e em São Paulo em maio, mês das mães. Em Recife, fica em cartaz no rooftop do Shopping Tacaruna todos os domingos, até 31 de maio, com entrada gratuita. Em São Paulo, está diariamente na Galeria Trend, na Rua Costa Carvalho, 213, Alto de Pinheiros.



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