Cinema 'É um grande sonho de criança', diz protagonista de Detetive Pikachu. Confira a entrevista

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 09/05/2019 16:17 Atualizado em:

Foto: Warner Bros/Divulgação
Foto: Warner Bros/Divulgação
São Paulo - Passados mais de 20 anos desde a estreia da franquia, em 1996, Pokémon segue firme em popularidade e avança mais um passo na presença multimídia, com a estreia de seu primeiro filme live-action, em cartaz a partir de hoje nos cinemas. Detetive Pikachu segue caminho diferente das aventuras consagradas na série principal de jogos de videogames e desenhos animados e evita a exaustivamente repetida jornada do treinador de monstrinhos em busca do título de mestre pokémon.

Embora se abstenha da premissa consagrada nos títulos mais populares de Pokémon, a trama é também baseada em um jogo, Detective Pikachu, lançado em 2018 para o console Nintendo 3DS. Spin-off da franquia, o game é uma narrativa de mistério e tem como protagonista um Pikachu que, ao contrário dos demais da sua espécie, tem a capacidade de falar, embora seja compreendido apenas por um garoto, Tim Goodman. Além desse detalhe peculiar - cujo estranhamento é acentuado pela voz rouca do personagem -, o animalzinho amarelo se apresenta como um grande detetive.

Bastante fiel ao espírito do jogo, o filme, dirigido por Rob Letterman (Goosebumps: Monstros e arrepios), traz Justice Smith (The get down) no papel de Tim, enquanto Ryan Reynolds (Deadpool) faz a voz e captura de movimento das expressões faciais do Pikachu. No Brasil, será mais difícil ouvir as vozes originais do filme, já que a maioria das salas exibirá cópias dubladas em português, que foi também a versão apresentada para jornalistas na sessão para a imprensa.

Foto: Warner Bros/Divulgação
Foto: Warner Bros/Divulgação
No longa, Tim embarca para Ryme City em busca de informações sobre o seu pai, um detetive morto em circunstâncias misteriosas. Nesse processo, esbarra no Pikachu falante que só ele é capaz de compreender. O pokémon se apresenta como parceiro do pai do garoto e diz também estar procurando respostas para o caso.

Ao contrário de outras regiões onde os jogos e demais histórias da franquia são ambientadas, a cidade em que a narrativa se desenvolve proíbe os famosos combates entre os pokémon: a ideia é tornar o local um espaço de convivência harmoniosa entre os humanos e os bichos. Além de dar frescor ao roteiro, esse detalhe torna a relação entre homem e criatura mais interessante e razoável, já que, embora funcione para os videogames, sob olhar mais crítico, esses embates não passam de rinhas um pouco mais arrojadas.

Embora ambientação e história destoem do usual no universo de Pokémon, a adaptação cinematográfica é, sim, bastante fiel e coerente com tudo que foi construído em relação à franquia, dos jogos aos longas-metragens animados. Há vários detalhes e acenos para os fãs da série ao longo da projeção. “Acho que é o tipo de filme que você vai gostar de assistir duas vezes, porque tem muita coisa a ser observada”, disse o protagonista Justice Smith, em entrevista ao Viver, durante passagem pelo Brasil na Comic Con Experience, no mês de dezembro, na capital paulista.

Foto: Warner Bros/Divulgação
Foto: Warner Bros/Divulgação
De fato, há nas cenas diversos detalhes que poderão ser notados pelos fãs mais atentos da série, desde pontas de pokémons de várias gerações da franquia a menções a cenários e itens vistos nos jogos. E sobre os monstrinhos, é louvável o trabalho de transposição para a versão live action: não são necessariamente realistas, mas críveis dentro da estética do filme e, na maioria dos casos, fofinhos e cativantes, sobretudo o Pikachu. A dinâmica da criatura digital com Justice Smith é ótima e o ator, embora não seja exatamente memorável, se sai bem com um tipo um tanto retraído e azedo.

Detetive Pikachu é um raro acerto entre adaptações cinematográficas de videogames, um filão com produções predominantemente esquecíveis. Talvez algumas escolhas de roteiro pareçam um tanto pueris, mas é bom lembrar que o filme não é destinado apenas para quem cresceu acompanhando Pokémon, mas também para o público infantil de hoje. Dito isso, é uma aventura leve, bastante divertida e visualmente primorosa.

ENTREVISTA - JUSTICE SMITH, ator
Foto: Warner Bros/Divulgação
Foto: Warner Bros/Divulgação
O que torna Pokémon algo especial?
Eu acho que é a magia em torno dele. Eu sou um grande fã da série original de games, era minha mitologia, meu lugar de escapismo para um mundo mágico. Acho que todo mundo, independentemente de idade, está em busca de certa magia. E esse universo está sempre em expansão, a The Pokémon Company está sempre fornecendo ao público o que ele quer e até o que ele nem sabe que deseja.

O aspecto mais popular dos jogos, dos desenhos animados e dos mangás sempre foi a jornada de um treinador de pokémon. Como o filme lida com o fato de trazer uma premissa diferente? O público vai estranhar?
Acho que a The Pokémon Company está buscando um contraste, com essa região de Ryme City, em que humanos e os pokémon vivem de maneira harmoniosa, como não vimos anteriormente, já que vimos sempre os pokémon sendo capturados em pokébolas e treinados para combates. Isso dá um entendimento melhor desse universo em que vivem os pokémon, e abordamos a questão no filme. Em Ryme City os pokémon estão fazendo coisas como cozinhar ou orientar o trânsito.

Como foi sua interação com Ryan Rynolds, que faz a voz de Pikachu?
Ele é incrivelmente engraçado, eu já sabia, vendo seus filmes, que ele era engraçado, mas pessoalmente é ainda mais. É muito rápido para fazer piadas, é realmente um dom. Tivemos um período de uma semana juntos antes de iniciar as filmagens, no processo de pesquisa e estudo para os personagens, para encontrar a nossa dinâmica e improvisar um pouco.

Bem, os pokémon são todos de computação e...
Não, eles são reais (risos).

Continuando a pergunta, considerando isso, foi complicado ficar sozinho em cena na maior parte do tempo? Você talvez tenha tido uma experiência parecida em Jurassic World: O reino ameaçado (2018), mas agora é em um papel principal.
Eu estou sempre sozinho (risos). É um tanto diferente sair correndo gritando assustado com dinossauros (mais risos), porque eu não estava tendo uma interação de conversa com eles. E nesse aspecto, foi um tanto mais desafiador.

Você costuma ver os próprios filmes?
Eu venho tentando fazer isso com mais frequência, ficar mais à vontade com o fato de estar em tela. Mas é difícil. Sabe quando você grava um vídeo de si mesmo e estranha a própria voz? “É assim que eu sou?”. Imagine isso, mas com todo mundo assistindo. É muito pior!

Você ganhou destaque pela primeira vez em Cidades de papel (2015) e, desde então, passou por The get down (2016-2017) e Jurassic World. Participar de produções populares assim mudou muito a sua vida? Ainda vai para os mesmos lugares, sai com os mesmos amigos?
Sim, surpreendentemente minha vida continua a mesma de antes. Três dias antes de vir ao Brasil, eu estava em uma loja comprando leite e cereal e agora estou aqui tirando fotos e falando com a imprensa (risos). Então, tirando esses momentos, a vida continua do mesmo jeito.

Como é fazer parte da história de Pokémon?
Nossa, é impressionante. É um grande sonho de criança, eu ainda carrego meu Game Boy e atualmente estou jogando Pokémon crystal (2000), que eu não havia jogado na época. Talvez eu devesse experimentar os jogos mais novos, mas sigo encantado pelos antigos. Sim, é uma loucura fazer parte de tudo isso.

Em termos de representatividade, como você avalia o fato de ser o protagonista em uma franquia desse porte?
É muito legal, sempre irei endossar qualquer tipo de inclusão. Ter pessoas negras em papéis em histórias que não estão diretamente relacionadas com sua raça e cultura é importante. E o cerne dessa história é muito humano e universal, é sobre segundas chances, sobre um filho em busca de um pai, sobre amizade e coisas com que qualquer um pode se relacionar facilmente. Eu sinto que quanto mais incluímos minorias em histórias, mais normalizamos isso e deixamos de focar nas diferenças, enxergamos as coisas que nos fazem mais parecidos. Então, tendo essas coisas em mente, ser o protagonista nesse filme é algo incrível.

Você já era familiarizado com Detective Pikachu, o jogo que deu origem ao filme?
Eu via o desenho animado quando criança, ainda jogo os games, mas Detective Pikachu eu ainda não havia jogado. Então, alguns meses antes do filme eu recebi uma edição temática do Pikachu do Nintendo DS e o jogo. Mas joguei apenas metade do jogo, porque o carregador do videogame parou de funcionar. Muito frustrante, eu não sei como o jogo acaba.

Não posso deixar de perguntar: qual o seu pokémon favorito?
O Totodile, da segunda geração (da série de jogos). Ele é do Pokémon gold (1999), que foi um dos primeiros jogos que tive para o Game Boy Color (videogame). Ele é um dos pokémon iniciais e tem um lugar especial no meu coração.

Assista ao trailer:



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