Moda Lady Gaga rouba a cena do baile do MET, que teve 'exagero' como temática

Por: AFP - Agence France-Presse

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 07/05/2019 10:19 Atualizado em:


Lady Gaga roubou a cena com um vestido fúcsia de cauda quilométrica. Foto: Jamie McCarthy/AFP
Lady Gaga roubou a cena com um vestido fúcsia de cauda quilométrica. Foto: Jamie McCarthy/AFP
O famoso baile de gala do Museu Metropolitano de Nova York realizou mais uma edição nesta segunda-feira (6), reunindo algumas das maiores estrelas da moda, cinema, música e televisão americana. O evento que arrecada fundos para o Instituto de Indumentária do Met teve como tema a moda Camp - que significa, entre várias traduções, algo "cafona" ou "exagerado". Não são peças para passar despercebido, mas sim para questionar, desafiar, escandalizar e arrancar um sorriso e até mesmo uma gargalhada. 

Neste ano, a editora-chefe da Vogue estadunidense dividiu o cargo de mestre de cerimônias com Lady Gaga, o cantor britânico Harry Styles, a tenista Serena Williams e o estilista italiano Alessandro Michele, diretor criativo da Gucci, marca que patrocina a exposição junto à Condé Nast, editora da revista Vogue.

E quem melhor que Lady Gaga para desafiar, escandalizar e arrancar sorrisos? No "tapete rosa", a cantora roubou a cena com um vestido fúcsia de cauda quilométrica. Era uma espécie de vestido balão fúcsia de Brandon Maxwell com oito metros de cauda, acompanhada por um cortejo de homens de smoking com guarda-chuvas. Como uma stripper, Gaga foi se transformando no tapete até ficar apenas com lingerie preta e brilhante, meias arrastão e vertiginosas botas plataforma.

Confira outros destaques

Foto: AFP
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A cantora Katy Perry brilhou literalmente com uma espécie de vestido candelabro repleto de luzes e cristais.

A estrela do rap Cardi B apareceu com um vestido justo carmesim de Thom Browne que acentuava suas curvas, com 30 mil plumas e brilhos sobre o peito e uma imensa cauda circular, que exigiu mais de 2 mil horas de trabalho de 35 pessoas. A atriz Lupita Nyong'o, com um grande penteado afro, parecia que sairia voando do Met com suas mangas de borboleta fluorescentes.

Foto: AFP
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A cantora Janelle Monae surpreendeu com um vestido preto, rosa, branco e vermelho que recordava uma pintura cubista, com um olho egípcio sobre um seio e uma torre de chapéus que pareciam a ponto de cair.

O que é camp, afinal?
Todos se perguntam o que é "camp". E ninguém sabe ao certo. Se trata de uma estética exuberante, caracterizada pela ironia, o humor, o pastiche, o artifício, a teatralidade e o exagero, segundo o próprio Met. O "camp" combina sem diferenças cultura popular e elevada, original e réplica.

A estética aparece, por exemplo, nos "Crocs" fúcsia com plataforma da Balenciaga, com broches da Torre Eiffel, uma bandeira da Itália e o símbolo da paz, inspirados nas famosas plataformas multicoloridas de Salvatore Ferragamo dos anos 70. Outro exemplo é a canção Over the rainbow de Judy Garland, hino "camp" que toca no local da exposição.

Quem encarna a melhor definição de "camp", segundo o museu, é o escritor Oscar Wilde, assim como Alexandre Magno, Leonardo da Vinci, Bette Midler, David Hockney e Luís XV. Camp "é a liberdade de ser como você quiser", disse nessa segunda-feira o estilista da Gucci, Alessandro Michele, na apresentação da exposição para imprensa. É o resultado "da própria expressão e criatividade".

"Um modo de aproveitamento"
O "camp" reaparece em momentos de instabilidade social, política e econômica, como nos anos 60 ou na era atual, quando a sociedade está polarizada, porque "é por natureza subversivo" e "confronta e desafia o status quo", disse Andrew Bolton, curador do Instituto de Indumentária do Met.

A escritora e filósofa Susan Sontag foi a primeira e refletir seriamente sobre o  "camp" em um ensaio em 1964, outorgando uma gramática própria e fazendo o termo ultrapassar os limites da sociedade para a cultura dominante.

"O gosto 'camp' é principalmente um modo de aproveitamento, de apreciação, não de julgamento. O 'camp' é generoso", escreveu Sontag em uma de suas 58 reflexões sobre o que é "camp".

"'Camp' é um local de debate mais do que um consenso", mas "no final, o propósito do 'camp' é colocar um sorriso em nossos rostos e um brilho quente em nossos corações", disse Bolton.


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