série Última temporada de Game of Thrones reafirma o fenômeno televisivo

Por: Correio Braziliense

Por: Adriana Izel - Correio Web

Publicado em: 28/04/2019 16:18 Atualizado em:

Foto: HB0/Divulgação
Foto: HB0/Divulgação
Há oito anos, Game of thrones estreou na telinha. Criado por David Benioff e D. B. Weiss, o seriado chegou à programação da HBO com um grande ponto a seu favor: o fato de ser uma adaptação de uma saga de livros, a obra As crônicas de gelo e fogo, de George R.R. Martin. O autor criou um mundo fictício, com os continentes de Westeros e Essos, onde há uma disputa pelo reino, o chamado Trono de Ferro, que dá direito ao governo de sete regiões, conhecidas como os Sete Reinos de Westeros.

Nesse universo, que tem ares de trama medieval, famílias nobres começam uma competição pelo trono, que um dia já foi da família Targaryen e atualmente pertence ao clã Baratheon. A disputa ganha o nome de Guerra dos cinco reis, de que participam dois descendentes dos Baratheons, um Stark, um Greyjoy e um Lannister/Baratheon.

Em meio a esse conflito com alianças e estratégias que dão inveja a muitos políticos, a história ainda tem criaturas mágicas, como dragões, lobos gigantes e zumbis, esses na figura dos caminhantes brancos, que são a verdadeira ameaça a Westeros e vivem para além da muralha que divide esses dois mundos. Tudo isso alinhado a um grande número de personagens — não há “o protagonista” — diferentes índoles e motivações. As reviravoltas são tantas que personagens considerados importantes morrem nas tramas.

A estreia da oitava e última temporada, no último dia 14, foi assistida por mais de 17,4 milhões de pessoas só nos Estados Unidos. Tem transmissão simultaneamente em 173 países, incluindo o Brasil, 313 prêmios televisivos, entre eles, 47 Emmys, o maior número conquistado por uma série.

Ingredientes do sucesso
“Game of thrones consegue manter a audiência cativa e fiel a todo lançamento, porque ninguém que ser impactado com spoiler (termo em inglês para explicar quando um fato importante da trama é revelado). A série tem uma lógica de consumo, uma estratégia”, explica Nathalia Rezende, pesquisadora que estudou o impacto da produção durante o mestrado na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

“A narrativa é um ponto importante de Game of thrones. A série tem mais de 70 personagens que são relevantes para a história. É uma trama extremamente complexa, mas de fácil identificação. Há heróis, donzelas, mulheres românticas, mulheres fortes, dragões, fantasia, política... É uma narrativa articulada, com um formato tradicional de televisão com ganchos narrativos que criam uma expectativa para o próximo episódio”, completa.

O fã brasiliense João Miguel, de 21 anos, concorda. Ele acompanha a série desde 2014, quando a quarta temporada foi exibida na televisão. “Vi as primeiras temporadas de uma vez e fiquei viciado. Eu não conhecia, não tinha lido os livros ainda. Mas depois, religiosamente, todo domingo eu estava em frente à tevê”, explica.

Para o estudante, o motivo do sucesso da série tem a ver com a profundidade da narrativa. “Acho que uma das coisas que a série mais chama a atenção é que os personagens não são totalmente bons ou maus. Eles estão em uma área cinza. A princípio você enxerga a família Stark como a boazinha e os Lannisters como os maus. Mas, conforme vai avançando, você vai entendendo a motivação de cada personagem. Além disso, há a mistura de comportamento e política, que se relacionam com o cotidiano”, afirma.

A estudante de engenharia da computação Jéssica Oliveira, 24 anos, é apaixonada por Game of thrones. Ela começou a se envolver com o universo em 2011, quando teve acesso aos livros. Em seguida, engatou na série. Há duas temporadas ela assiste ao lado dos amigos. “Nas primeiras temporadas, eu assistia em casa e ficava trocando SMS sobre a história. Faz alguns anos que assisto na casa do meu namorado e reunimos uma galera de até 10 pessoas. Essa temporada até criamos um bolão”, conta.

“Game of thrones tem várias histórias, guerra, uma coisa medieval. Além disso, na série, a história tem um impacto, todo episódio acontece uma coisa diferente, extraordinária. A cada capítulo acontece alguma coisa, aquele personagem que você adora morre do nada, então você quer saber o que vai acontecer depois disso”, acrescenta Jéssica.

Até quem não assistia à série se sentiu interessado nesta última temporada. É o caso de Tatiane Oliveira, 30 anos, estudante de psicologia. “Desde que a série foi lançada, observei que muitas pessoas do meu meio pessoal assistiam, incluindo minha irmã. Sempre via o entusiasmo dessas pessoas e, até então, não tinha muito interesse. Mas, recentemente, comecei a ter curiosidade de acompanhar”, explica. Agora, Tatiane acompanhaa a última temporada e está até fazendo maratonas para assistir às anteriores. “É uma trama planejada e fantasiosa, com um enredo rico, cheio de ação e aventuras”.

Encerramento
Neste domingo (28), a partir das 22h, a HBO transmite o terceiro de uma temporada que terá seis episódios. O título continua guardado a sete chaves, para que a série evite o vazamento de spoilers do capítulo, mas, como os teasers e imagens de divulgação dão a entender, será mostrado o confronto entre o exército dos humanos, comandado por Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) e Jon Snow (Kit Harington), contra o exército dos caminhantes brancos.

Por ser um episódio de guerra, há uma grande expectativa em torno do capítulo. Com uma hora e 22 minutos, quase a duração de um filme de longa-metragem, o episódio deve ser o encerramento da participação de alguns personagens, além de um capítulo visualmente deslumbrante.


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