teatro Sérgio Mamberti desembarca no Recife com a peça Visitando o Sr. Green

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 06/04/2019 11:08 Atualizado em: 06/04/2019 14:34

Adaptação da obra do americano Jeff Baron, Visitando o Sr. Green traz o consagrado ator Sérgio Mamberti ao Recife neste fim de semana. Foto: Ale Catan/Divulgação
Adaptação da obra do americano Jeff Baron, Visitando o Sr. Green traz o consagrado ator Sérgio Mamberti ao Recife neste fim de semana. Foto: Ale Catan/Divulgação

O ator e dramaturgo paulista Sérgio Mamberti consegue elencar alguns personagens que marcaram sua carreira de seis décadas, a exemplo de Veludo, da peça Navalha na carne (1967), Eugênio, da novela Vale tudo (1988), e o Doutor Victor, do programa infantil Castelo Rá-tim-bum (1994). Recentemente, aos 80 anos, ele diz ter encontrado outro papel marcante: um judeu aposentado que vive solitário em um apartamento em Nova York, na peça teatral Visitando o Sr. Green. Neste final de semana, ele desembarca no Recife para apresentar o espetáculo no Teatro RioMar, Zona Sul, com sessões no sábado, às 19h, e no domingo, às 20h.

A obra é uma adaptação do norte-americano Jeff Baron, apresentada na Broadway e em mais de 20 países. Com direção de Cassio Scapin, a comédia dramática conta a história de Sr. Green (Mamberti), que acaba sendo atropelado pelo jovem executivo Ross Gardner (Ricardo Gelli). Após o acidente, o homem de negócios passa a prestar serviços comunitários na casa do idoso. “Ele encontra um velho extremamente solitário, carente e um conflito se inicia. Com o tempo, no entanto, eles encontram um ponto de contato, de apoio, que preenche a solidão de Green, enquanto o jovem também começa a contar seus problemas”, explica Mamberti, em entrevista ao Viver.

A partir desse relacionamento, a peça passa a discutir temáticas que reverberam um caráter mais dramático, usando de questões da religião judaica para provocar certo choque cultural e também geracional entre os dois, sobretudo em relação à sexualidade. “É um espetáculo de grande intensidade, com humor e muita emoção. A peça trabalha um conceito de diversidade que hoje para mim é muito caro, muito próximo daquilo que almejamos: uma sociedade mais justa e harmônica. Estamos passando por um momento de muitas transformações no mundo, com guerras, angústia e preocupação”.
Visitando o Sr. Green, que estreou em 2015, mas só agora chega ao Recife, também acabou sendo um trabalho especial para Sérgio por ter sido o primeiro após um período que ele passou afastado dos palcos para se dedicar aos diversos cargos que ocupou no Ministério da Cultura.

Entrevista - Sérgio Mamberti // ator

Visitando o Sr. Green é sua primeira peça teatral após um período afastado dos palcos. Como tem sido sua experiência nela nos últimos quatro anos?
Estou com 80 anos de idade fazendo teatro porque é a minha paixão. Acho que para esse momento que estamos vivendo, o teatro faz você refletir de uma certa maneira. Também fortalece a cultura no sentido de que esse é o elemento absolutamente transversal em ações democráticas, na construção de uma sociedade mais justa. Eu sempre acredito que o teatro tem, como teve na ditadura, um papel muito importante que as pessoas podem se alimentar. Essa época absolutamente cibernética de comunicação à distância, pautada nas redes sociais, acaba afastando as pessoas de um convívio mais próximo. Essa presença que o teatro traz de estar ali, com pessoas em volta, é forte como experiência para todos nós. Também para o público que vem e acolhe o espetáculo. Recife é uma plateia muito especial, de um polo cultural do Brasil.

A peça toca na questão da diversidade, um assunto bastante abordado atualmente. Como fugir do clichê nessa temática?
No meu período do Ministério da Cultura, participei da Promoção das Expressões Culturais, um documento da Unesco que abordava a diversidade cultural. Isso foi em 2005, de uma forma bem genérica. Hoje, as coisas mudaram muito e a diversidade tem um conteúdo social e político muito forte, um sentido muito mais interessante e menos clichê. É através dessa diferença que podemos pensar uma sociedade realmente democrática. Esse novo conceito da diversidade para mim hoje é um conceito muito caro, muito próximo daquilo que a gente almeja: uma sociedade mais justa e mais harmônica. O mundo está passando por um período de guerras de novo, de grandes transformações em todos os níveis, inclusive comportamentais. É também um momento de muita angústia e preocupação. Nesse sentido, a cultura deve florescer e estabelecer laços.

E esse continua sendo seu objetivo, após 60 anos de carreira?
Me sinto muito feliz por estar podendo contribuir nesse sentido, com saúde e viajando. Faço uma exposição aqui, uma peça ali. Estou bastante ativo no campo da política, no campo do teatro. É importante estarmos trocando experiências, a gente sente uma certa urgência em transmitir conhecimentos para as próximas gerações fazerem o mesmo. Para mim sempre foi muito importante ter essa convivência com outras gerações. Cultura é transmissão de um legado, isso faz com que você avance. 

Serviço
Peça Visitando o Sr. Green
Onde: Teatro RioMar (Avenida República do Líbano, 251, 4º piso do RioMar Shopping)
Quando: 6 de abril, às 21h, e 7 de abril, às 19h
Quanto: R$ 100 (balcão nobre), R$ 50 (meia), R$ 120 (plateia alta), R$ 60 (meia), R$ 140 (plateia baixa), R$ 70 (meia)


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