Cinema Em Cine Holliúdy 2, cearenses emplacam ficção científica humorística A Chibata Sideral estreia nos cinemas seis anos após o primeiro e aclamado filme de Halder Gomes

Por: Anamaria Nascimento

Publicado em: 21/03/2019 15:14 Atualizado em: 21/03/2019 14:26

Foto: Paris Filmes/Divulgação.
Foto: Paris Filmes/Divulgação.
Seis anos separam a estreia de Cine Holliúdy e Cine Holliúdy 2 - A chibata sideral, que chega hoje aos cinemas. De lá para cá, o mundo viu as redes sociais ganharem força e os serviços de streaming ameaçarem as emissoras tradicionais de televisão. Longe de conhecer essa realidade, Francisgleydisson, o herói dos filmes do cearense Halder Gomes, ainda vê os cinemas de rua perder espaço para a televisão nesta sequência do filme sucesso de público e crítica em 2013. A história tem como pano de fundo a cidade de Pacatuba, no interior do Ceará, na década de 1980. A força da TV obriga o protagonista a fechar o cinema aberto no primeiro volume.

O universo cinematográfico e a metalinguagem continuam presente na continuação. Desta vez, o desafio de Francisgleydisson é fazer um filme com “o elenco mais feio do mundo”. Uma batalha entre Lampião e extraterrestres é filmada na pequena cidade cearense. As referências de Halder Gomes ficam ainda mais evidentes no segundo filme. Paleta de cores inspirada em Van Gogh, menção a Steven Spielberg, cenas de luta inspiradas nos filmes de Bruce Lee.

Como uma colcha de retalhos, as inspirações do diretor aparecem e formam a atmosfera que remete à infância do próprio Halder. “De filme sobre Jesus a filme de putaria, já vi de tudo. Os Trapalhões me inspiraram, mas também Spielberg, assim como os tantos filmes de ficção e ficção científica que assisti. Está tudo em Cine Holliúdy”, afirmou, em coletiva de imprensa realizada no Recife na última terça-feira.


Apesar de apresentar um cenário saudosista, o filme não deixa de lado a sátira política, religiosa e social. Uma cena com um “power point” na qual um policial fala que “não tem provas, mas convicções” ironiza episódios recentes da história brasileira. “Não riram dessa cena em Brasília. Não sei se por inocência ou peso na consciência”, brincou Halder, ao se referir à pré-estreia do filme na capital federal. Na sessão do Recife, o público caiu na gargalhada.

Mesmo sendo recebido de formas diferentes nas salas espalhadas pelo país, o filme toca a todos. “A fuleragem é entendida do mesmo jeito em qualquer lugar do Brasil”, defende o diretor. Ainda assim, para quem não entender, tem legenda durante todo o filme, que traduz o “cearensês” para o português “convencional”.

Série de TV
Ainda neste ano, Cine Holliúdy estreia também nas telinhas. Na versão filmada para a TV Globo, a série contará com a participação de Heloisa Périssé, Matheus Nachtergaele, Leticia Colin e Edmilson Filho, protagonista dos filmes. A direção é de Halder Gomes e Patrícia Pedrosa. A produção já tem uma segunda temporada garantida antes mesmo da estreia. O programa televisivo é uma coprodução da Globo e Glaz e se passa na década de 1970 - mesma época do primeiro longa. A cidade de Areias, no interior de São Paulo, foi a locação usada para retratar a fictícia Pitombas, no Ceará, onde se passa a história.

Entrevista - Halder Gomes e Falcão // diretor, ator, cantor e humorista

No Recife para a pré-estreia de Cine Holliúdy 2, o diretor Halder Gomes e o humorista Falcão, que interpreta Cego Isaías conversaram com o Diario. Eles falaram da vontade de fazer outros filmes juntos. “Queremos Cine Holliúdy 3, 4, 5, 12, 13, mas dependemos da bilheteria, então vão ao cinema”, brincou Halder.

Como foi a experiência de voltar a fazer Cine Holliúdy?
Falcão: Foi muito bom para mim como ator e também para as minhas lembranças. Também vivi em uma cidade pequena como aquela. Ia ao cinema como o de Francisgleydisson na infância. Halder me dá esse presente de fazer Cego Isaías desde o primeiro filme, quando eu nem pensava em fazer cinema. Agora, nesse segundo filme, ele não depende tanto mais da cabra não. Até nisso, ele melhorou.
Halder: Falcão é o nosso Frank Sinatra. O “cabra” que é cantor e se envereda pelo cinema.

Por que o subtítulo Chibata sideral?
Halder: Quando eu tava trabalhando no roteiro e pensei sobre essa coisa de o filme retratar uma luta entre alienígenas e o bando de Lampião, pensei em Chibata sideral. Chibata lá está muito associado à ação e tem também um duplo sentido. A ambiguidade faz parte da nossa língua no Nordeste.

Isso de usar de maneira enfática o “cearensês” gera alguma dificuldade?
Halder: Para a gente de lá, é a nossa língua, né? Tem mais para os atores. Quando ele lê o roteiro, se apega ao texto, entende. Tá explicado. Mas aí quando ele esquece o texto, às vezes se atropela, diz coisa que não devia dizer. Às vezes, não diz na entonação certa, mas é só fuleragem no set. É um estado muito evoluído da língua para o “cabra” entender de cara assim. 

Podemos esperar Cine Holliúdy 3?
Falcão: Quando a gente terminou de filmar o primeiro, eu sabia que teria uma trilogia. Não só uma trilogia. Sylvester Stallone fez tantos Rambo. A gente vai fazer o décimo segundo, décimo terceiro. Tem assunto demais, e fuleragem não falta. Gravando o segundo, já surgiu um monte de ideia para outros filmes.

E a série na Globo, quando estreia?
Halder: A série já está pronta. Estão apenas tentando ajustar uma data para lançar. A série transita num universo muito próximo dos filmes. São dez episódios inéditos. Rodamos o filme (Cine Holliúdy 2) em 2017 e a série em 2018. Eles nos pediram que a essência fosse mantida e que não ficasse com cara de pasteurizado. E não ficou não. O resultado está lindo. Deve estrear até o meio do ano.



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