cinema Política e empoderamento feminino entre os lançamentos da semana

Por: Ricardo Daehn - Correio Braziliense

Publicado em: 14/03/2019 09:03 Atualizado em:

Foto: Diamond Films/Divulgação
Foto: Diamond Films/Divulgação
O feminismo teve o norte profundamente alterado, na América, antes mesmo da simbólica queima de sutiãs, aos fins dos anos de 1960, e de manifestações potentes que buscavam equalizar direitos e deveres entre mulheres e homens. Figura de ponta nessa batalha, a advogada Ruth Bader Ginsburg tem parte da vida contada em Suprema, filme que bateu na trave das indicações ao Oscar, depois de campanha espontânea criada pela corrente favorável, em termos de crítica, nos Estados Unidos.

Estrelado por Felicity Jones (indicada ao Oscar, por A teoria de tudo), o longa tem como destaque ainda o expressivo marido dela, Marty, papel desempenhado por Armie Hammer (de Me chame pelo seu nome). Dirigido pela novaiorquina Mimi Leder (Impacto profundo), de 67 anos, o longa traz dilemas pessoais de Ruth (também conhecida por Kiki) e a luta dela pelo estabelecimento de leis e direitos. Entre os destaques no elenco estão Sam Waterston, Kathy Bates e Jack Reynor. 

Um amor inesperado
Produzido pela mesma Argentina que rendeu o exame da síndrome do ninho vazio, em cinema, no filme homônimo, Um amor inesperado trata de tema semelhante, mas com um tom de comédia. Depois de 25 anos de matrimônio, na trama conduzida pelo diretor Juan Vera, Marcos (Ricardo Darín) e Ana (Mercedez Morán, de Sueño Florianópolis) decidem, em comum acordo, pela separação. Num primeiro momento, ficam encantados pela força da nova liberdade. Mas, será que é o que realmente querem?

Sobre rodas 
Estrelado pelos jovens Cauã Martins (Bingo — O rei das manhãs) e Lara Boldorini, o longa-metragem Sobre rodas é dedicado ao público infantojuvenil. Criação do cineasta estreante em longas Mauro D´Addio, que já conduziu curtas até de animação, entre os quais, o filme é centrado no cotidiano de Lucas, rapaz de 13 anos que perdeu os movimentos das pernas. Junto com a nova amiga Laís, ele parte para uma viagem repleta de descobertas, em direção ao promissor encontro com o pai dela. O filme venceu prêmios como o TIFF Kids (no Festival de Toronto) e ainda em competições em festivais de Chicago e do Rio de Janeiro. 

Imagem e palavra
É no mínimo desafiante e intimidador estar em frente a uma obra assinada Jean Luc-Godard, que, aos 88 anos, ainda é tido como um dos mais renovadores mestres da linguagem cinematográfica. Concorrente no Festival de Cannes, ele saiu com uma Palma Especial atribuída ao mais recente longa. Já havia competido por fitas como Elogio ao amor (2001), Adeus à linguagem (2014) e La vie (1980), além de contabilizar outras quatro participações em Cannes, com Détective (1985), Passion (1982), Aria (1987) e Nouvelle vague (1990). Todo feito de colagens e ressignificados para trechos de filmes alheios, Imagem e palavra, narrado por Godard, trata de alienação e da iminência de uma guerra maior.

O parque dos sonhos
Um dos criadores do sucesso de animação da tevê A vaca e o frango (estendido até 1999), o diretor David Feiss aposta em mais uma animação que, desta vez, tem origem em um parque de diversões. Tudo começa com June, que fica confusa depois de descobrir, em plena floresta, um local chamado Wonderland. Lá, existem animais capazes de falar, mas o ambiente está meio caótico e precisa de novas regaras.

As filhas do fogo
Conhecida pela direção do longa-metragem La rabia (2008), além de ter envolvimento com filmes de diferentes gêneros como film noir e drama, a diretora argentina Albertina Carri conduz agora, com As filhas do fogo, um road movie de altíssima voltagem erótica. Vencedor de prêmios no Festival Mix Brasil, no Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires e no festival espanhol de San Sebastián, o longa trata de uma jornada de um grupo de mulheres que, pela Patagônia (Argentina), investem no amor livre e sem maiores compromissos. 
 
Eleições
Com a aproximação das eleições presidenciais, a diretora Alice Riff investiu numa trama de documentário capaz de traçar paralelo com a realidade de alunos de uma escola central de São Paulo — a Escola Estadual Doutor Alarico da Silveira. Nela, estudantes do ensino médio se aglomeram, se agitam e discutem sobre a nova composição do grêmio estudantil. Meu corpo é político, vale lembrar, é outro título assinado pela diretora Alice Riff.

Maligno
A atuação de uma força extraordinária e deprimente sobre uma criança move a trama do filme assinado por Nicholas McCarthy. Estrelado por Taylor Schilling e Jackson Robert Scott, respectivamente, nos papeis de Sarah e Miles, o longa coloca em primeiro plano terror e suspense. Sarah se preocupa com os estranhos modos do filho, mas ele parece cada vez mais distante e influenciado por algo perturbador. 

Vingança a sangue frio
Foi na divulgação deste longa conduzido pelo norueguês Hans Petter Moland que o astro de cinema Liam Neeson se enrolou, deixando aparente que, no passado, havia agido com ótica bastante preconceituosa contra negros. O filme trata exatamente de justiça e de justiçamento. Na trama, o filho do protagonista Coxman (Neeson) é morto por integrantes de rede de traficantes. William Forsythe e Laura Dern completam o elenco.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.


Últimas