Cinema Humorista paraibano Lucas Veloso, filho de Shaolin, dubla personagem de animação norte-americana

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 13/03/2019 10:41 Atualizado em: 13/03/2019 11:51

Foto: Mandy Oliver/Esp.DP Foto.
Foto: Mandy Oliver/Esp.DP Foto.
O humorista, ator e cantor paraibano Lucas Veloso, conhecido por ter participado do revival de (2017), iniciou um novo desafio em sua carreira tendo, ironicamente, uma piada como ponto de partida. Antes de pegar um avião, o filho do falecido humorista Shaolin (1971-2016) gravou um vídeo no Instagram dizendo que estava indo jogar sinuca com astros de Hollywood e marcou o perfil da Paramount Pictures Brasil na publicação. Era só uma brincadeira, mas o publicitário João Beltrão, que cuida do marketing da produtora cinematográfica, acabou vendo a postagem. Assim nasceu o convite para a dublagem na animação O parque dos sonhos, que será lançada nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira.

O filme conta a história de uma jovem sonhadora chamada June, que encontra um parque de diversões escondido dentro de uma floresta com animais falantes. Apesar de sua amplitude, o espaço é bastante desorganizado e confuso. Com o tempo, a menina acaba descobrindo que o parque veio de sua imaginação e que apenas ela pode tornar o local “mágico novamente”. Na animação, o sotaque paraibano de Lucas Veloso dá voz ao castor Gus, que é amigo do também roedor Cooper, dublado por Rafael Infante.

"Não pensei duas vezes em aceitar o convite. Foi uma experiência totalmente nova que fiz com muito respeito. Atuar é dublar de outra forma, com outra técnica. O ator está acostumado a pegar o texto, ensaiar e maturar aquilo tudo. Entramos em cena sabendo tudo. Já a dublagem é uma surpresa", conta o artista de 22 anos, que trabalhou sob supervisão do diretor de dublagem Wendell Bezerra, conhecido por dar voz a Goku (Dragon Ball Z) e Bob Esponja.

"Ouvir tudo em inglês e falar em português é complicado, mas o mais difícil para mim foi encaixar a fala na boquinha do personagem. Muitos de nós, nordestinos, falamos com uma dicção meio cantada, enquanto a animação é pensada para a linguagem inglesa", conta Lucas, que teve liberdade para manter o sotaque paraibano que diz carregar com "muito orgulho". "Sou de Campina Grande, interior da Paraíba, fui criado na base de cuscuz, munguzá e rubacão".

Produzido por Josh Appelbaum, André Nemec e Kendra Haaland, a versão original de O parque dos sonhos conta com as vozes dos comediantes norte-americanos Kenan Thompson (Gus) e Ken Jeong (Cooper). O filme tem uma pré-estreia no Recife apenas para convidados neste sábado, no Cinemark do Shopping RioMar, Zona Sul da capital, e em Campina Grande, terra do ator.

"O filme está lindo. É uma animação para criança, mas que trata da depressão de forma bastante subliminar e na figura de uma criança. A depressão infantil existe e não podemos fingir que não", explica Lucas. Embora essa temática seja similar à do ganhador do Oscar de Melhor Animação Divertida mente (Pixar Studios, 2015), o dublador conta que a diferença está na abordagem. “Divertida mente mostra algo bastante didático, enquanto O parque dos sonhos aposta na vivência da depressão, como o ambiente em volta afeta o coração". Mesmo tentando evitar spoilers, ele faz questão de citar uma frase que marca o filme já nas últimas cenas: “A escuridão não vai embora, ela fica aqui para lembrar de olhar para a luz".

O HUMOR ESTÁ NO DNA
Foto: Mandy Oliver/Esp.DP Foto.
Foto: Mandy Oliver/Esp.DP Foto.
Filho de Francisco Jozenilton (Shaolin), ícone do humor paraibano, Lucas Veloso começou cursos de teatro ainda criança. Aos 16 anos, já fazia aberturas de peças do humorista Zé Lezin. Aos 18, teve seu primeiro papel na TV encarnando o personagem Lucas na novela Velho Chico (2016). “Ele era gerente de uma cooperativa de alimentos, cunhado do personagem de Domingos Montagner. Foi muito bom para mim, porque ganhei uma carta branca do diretor Gustavo Fernandez para brincar, fiz até imitação do Silvio Santos. Acabei sendo conhecido como um ator ‘zueiro’”, explica.

O tom humorístico daquela atuação emendou com uma nova versão do clássico Os trapalhões, feita em comemoração aos 40 anos da série original. O ator fez o papel de Didico, um sobrinho de Didi (Renato Aragão), rendendo um troféu do Melhor do Ano do Domingão do Faustão, em 2017. Nesse mesmo programa de auditório, ele competiu no quadro Dança dos famosos, ficando em segundo lugar. “Entrei com 80 mil seguidores no Instagram e saí com uns 700 mil. Hoje em dia tenho mais de 1 milhão. É incrível a força que o Faustão tem", admite.

Com o objetivo de crescer ainda mais no mundo digital, ele lançará seu primeiro DVD no YouTube neste ano, intitulado Cócegas do cérebro. Para engajar seu nome nas redes, também tem recebido dicas de Whindersson Nunes, piauiense e maior youtuber do país. Apesar disso, o paraibano continua prezando pelos palcos ao apostar no "stand up nordestino" consagrado por nomes como Tom Cavalcante (CE), Zé Lezin (PB), Espanta (RN) e o seu próprio pai. "Quero ser uma artista que a família inteira consegue assistir. Amo o humor do Nordeste, é mais rico do que em qualquer outro lugar. O stand up veio da cultura norte-americana, mas é uma coisa mais ácida de apontar para o outro. Nós nordestinos imitamos, brincamos com a cara do outro e temos a humildade de nos ‘autozoar’. Isso é o que há de mais nobre no humor".


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