CARVAVAL Bloco dos Catimbozeiros leva o encanto da Jurema para as ruas de Olinda A saída será às 12 horas, na Casa das Matas do Reis Malunguinho, no Largo do Amparo

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 04/03/2019 11:12 Atualizado em:

O cortejo pelas ladeiras terá início às 12 horas. Foto: Divulgação
O cortejo pelas ladeiras terá início às 12 horas. Foto: Divulgação

Nesta segunda, os foliões olindenses seguidores e simpatizantes das religiões de matriz africana e indígena poderão aproveitar o “Bloco dos Catimbozeiros”. A festividade, que está na sua primeira edição, tem a intenção de levantar o enfrentamento ao racismo e a intolerância religiosa nas ladeiras do Sítio Histórico.  A saída será às 12 horas, na Casa das Matas do Reis Malunguinho, no Largo do Amparo. Ele será acompanhado pelo Maracatu Nação do Reis Malunguinho e o Calunga Gigante da entidade. 

Alexandre Omi L'Odò, idealizador do bloco. Foto: Divulgação
Alexandre Omi L'Odò, idealizador do bloco. Foto: Divulgação

A tradição da Jurema e do candomblé tem como uma de suas importantes práticas os rituais preparatórios para o carnaval, sendo assim, todas as manifestações de cultura popular que estejam ligadas ao sagrado afro indígena, cumprem um severo ritual comprometido com as entidades e divindades dos panteões religiosos dessas duas tradições.O juremeiro e pesquisador da história da religião de matriz indígena em pernambuco, Alexandre L’Omi L’Odò, explica que a intenção do evento é dar voz ao povo de terreiro no carnaval pernambucano. “Esses ritos pedem proteção, paz, segurança, livramento de tudo que é de ruim nos dias de Momo. Então, temos nas ruas, abertamente, contatos com símbolos e objetos sagrados, preparados para cumprir a missão de defesa e prosperidade para os blocos, agremiações, maracatus, afoxés, bois, la ursas, etc”, explica. 

O Catimbó, em termos gerais, é a mesma coisa que a Jurema Sagrada, uma religião de matriz indígena do Nordeste brasileiro, que está presente em todo estado de Pernambuco, sendo em Recife e Região Metropolitana, a religião mais presente nos terreiros, com cerca de 70% das casas, como aponta o senso realizado em 2010 pelo Ministério da Cidadania e Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Esse termo, é bastante estigmatizado na sociedade e quase sempre ligado à coisas ruins, ao mal e à bruxaria. Não há consenso teórico que determine o significado desse termo indígena, contudo, o povo de terreiro sabe que catimbó é o ato de fumar cachimbo, ou o próprio cachimbo, elemento fundamental no culto da Jurema.

Preparativos para a saída do bloco. Foto: Divulgação
Preparativos para a saída do bloco. Foto: Divulgação

Foi justamente para mudar essa visão preconceituosa, que Alexandre decidiu montar o bloco com a expertise de quem organiza todos os anos o Kipupa Malunguinho. “Queremos tirar o olhar errôneo que muitos têm sobre nós. Por isso vamos para as ruas para levar alegria, fumaça, fé e proteção para o carnaval. Com muito catimbó, coco, maracatu e a presença ilustre do Calunga Gigante do Reis Malunguinho”, concluiu. 


Serviço
Bloco dos Catimbozeiros 
Quando: 04 de março de 2019 
Horário: 12h 
Local: Casa das Matas do Reis Malunguinho, no Largo do Amparo. 
Informações: 81 995257119
 



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