Carnaval Com show antológico, Shevchenko e Elloco efervescem Recife Antigo

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 03/03/2019 03:42 Atualizado em: 03/03/2019 15:13

Foto: Hannah Carvalho\Divulgação
Foto: Hannah Carvalho\Divulgação

Neste carnaval, é difícil circular pelas ruas da Região Metropolitana do Recife sem ouvir os sucessos de Shevchenko e Elloco. Fundada em 2007, a dupla é a sensação do brega-funk de 2019 por lançar as músicas que evocam o “passinho dos malokas”. Nesse contexto, o show dos MCs no festival Rec-Beat, realizado na noite deste sábado (3), foi uma espécie de legitimação. O Cais da Alfândega ficou pequeno para receber os artistas naturais de Arruda, Zona Norte da capital, em uma apresentação que tornou o Recife Antigo mais agitado em uma noite relativamente monótona.

A dupla entrou no palco pontualmente, por volta das 23h10, como “headliners” da noite - DJ Dolores (PE), The Space Lady (USA) e Radiola Serra Alta (PE) foram as atrações. Antes de começar o show, Shevchenko mandou um “salve” para diversos bairros e comunidades da RMR: Ibura, IPSEP, Maranguape, Santo Amaro, entre outras localidades afastadas do Centro, sempre ressaltando a presença da periferia. “Favela venceu”, disse Elloco.

O repertório foi repleto dos sucessos que não saem das caixas de som pela cidade: Toma na pepeka, Gera bactéria e Tome empurradão - ainda teve espaço para Sou favela, sucesso no carnaval de 2013. Não faltaram hits de outros expoentes do gênero, como Vitinho Polêmico (Disso que elas gostam) e MC Abalo (Poc Poc). Os MCs também prestaram homenagens a Danilo Cometa e Deivison Kellrs, expoentes do brega pernambucano que faleceram no ano passado.

Em entrevista ao Viver, minutos antes do show, Shevchenko disse que "fica muito feliz com o show porque é mais uma porta aberta ao movimento brega-funk". "Para crescer mais agora só depende da gente, a oportunidade está sendo dada pelo poder público esse ano", acrescentou. Elloco enxerga a apresentação como um momento histórico. “É uma conquista, pois esse é um gênero que oscila muito, mas viemos agora com essa tendência do passinho. Queremos mostrar tudo isso ao Brasil como uma cultura do Recife”. Como forma de “agradecer a Deus” pela apresentação, eles finalizaram o repertório com Noites traiçoeira, de Padre Marcelo Rossi.

Contrariando comentários recorrentes nas redes sociais de que o show "traria tumulto ao bairro", o evento foi tranquilo e sem brigas. Shevchenko chegou a agradecer o trabalho da Polícia Militar, que cuidou da segurança. Como de costume, vistorias em jovens foram recorrentes.

OUTROS PALCOS
No Marco Zero, quem deu ponto de partida para a folia foi Lula Queiroga (com participação de Pedro Luís e Marcelo Jeneci). Fafá de Belém subiu no palco com um figurino inspirado em Iemanjá. A paraense apostou em um repertório de músicas locais, começando com Voltei, Recife, passando por Frevo mulher e Madeira do Rosarinho. Foi um show sem surpresas. O pernambucano André Rio também fez sua tradicional apresentação no polo, com sucessos da terra.

Os Paralamas do Sucesso fizeram um show um tanto previsível, quase burocrático. Tocaram sucessos como Alagados, A novidade, Óculos e Lanterna dos afogados, principal clássico da carreira da banda. Apesar dos inúmeros hits, o público assistiu de forma bem inexpressiva - provavelmente os foliões estavam cansados do Galo da Madrugada e de Olinda, como é corriqueiro no carnaval do Recife Antigo.

Em geral, a noite do sábado de Zé Pereira no bairro foi bastante tranquila. Quem voltou para casa de transporte público encontrou ônibus relativamente vazios. Os que optaram pelos aplicativos de carona também conseguiram retornar sem transtornos, com preços estáveis.



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