Cinema Com Roma, América Latina deve levar o quarto Oscar de filme estrangeiro Apenas 9 filmes de fora dos EUA foram indicados em 91 anos e nenhum era latino

Por: AE

Publicado em: 23/02/2019 19:04 Atualizado em:


Caso o mexicano Roma, de Alfonso Cuarón, confirme o favoritismo e vença como melhor filme em língua estrangeira no Oscar de hoje, ele entrará para a seleta lista de filmes latino-americanos que ganharam a estatueta. Foram apenas 3 em mais de 60 anos da premiação: 2 para a Argentina (O Segredo dos seus Olhos e A História Oficial) e 1 para o Chile (Uma Mulher Fantástica), ou seja, 5% do total.

Se levar também a estatueta de melhor filme, Roma pode se tornar o primeiro título estrangeiro a vencer na categoria. Apenas 9 filmes de fora dos EUA foram indicados em 91 anos e nenhum era latino. Apesar desse aparente vira-latismo, dos últimos cinco prêmios concedidos pela Academia a diretores, quatro foram para mexicanos: Guillermo Del Toro (1), Alejandro Iñárritu (2) e Cuarón (1).

Mais do que questão cinematográfica, o protagonismo do México tem fundo político, aponta o coordenador do curso de Cinema da Faap, Humberto Neiva. "A assunto do momento é a construção do muro contra o México. Um dos atores de Roma teve o visto negado para entrar nos EUA", diz.

Ainda assim, o domínio europeu na categoria de filme estrangeiro é gritante. Com 47 vitórias, o Velho Continente abocanhou 76% dos prêmios - hegemonia puxada por Itália e França. Os dois países têm, respectivamente, 11 e 9 estatuetas, a maioria recebida entre os anos 50 e 70, quando ambos tinham diretores renomados, com influência do neorrealismo Italiano e da nouvelle vague. O maior vencedor da categoria é o italiano Fellini, com 4 prêmios. 

A partir dos anos 80, no entanto, o domínio dos dois países diminuiu, e hoje as indicações são mais pulverizadas. Mais recentemente, países de outros cantos ganharam estatuetas. É o caso do iraniano Asghar Farhadi, que conquistou 2 Oscars nesta década. Segundo Neiva, a globalização tem papel importante na divulgação da produção de outras partes do mundo. "É fundamental para ter maior diversidade", acrescenta.


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