cinema Indicações do Oscar contemplam filmes populares em busca de audiência

Por: Ricardo Daehn - Correio Braziliense

Publicado em: 20/02/2019 10:05 Atualizado em:

O retorno de Mary Poppins: a atriz do musical Emily Blunt foi esquecida, mas, o longa, não. Foto: Walt Disney Pictures/Divulgação
O retorno de Mary Poppins: a atriz do musical Emily Blunt foi esquecida, mas, o longa, não. Foto: Walt Disney Pictures/Divulgação
Contra a acentuada queda de audiência que tem acompanhado a festa do Oscar, com os espectadores mais jovens ressentidos de uma maior representação dos filmes que julgam bons, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, por meio de comitê, teve uma ideia que, fragilizada na mídia e nas redes sociais, não emplacou: queriam criar uma categoria que acolhesse o gosto da maioria dos pagantes de bilheterias. A resistência porém não limitou a projeção de um fenômeno de audiência que, com mensagem poderosa, foi incluído entre os dez finalistas a melhor filme: Pantera Negra.

Se na lista das animações do ano tidas como as melhores, que traz Homem-Aranha no aranhaverso e Os incríveis 2, coube espaço para a indicação do vencedor do importante Prêmio Annie de filme independente — o japonês Mirai; entre os concorrentes a melhor filme, o longa assinado por Ryan Coogler (que não foi indicado a melhor diretor) despontou em sete categorias do Oscar, igualmente, tratando de tradições e de sólidos laços familiares (caso de Mirai). A maior parte, entretanto, confina o primeiro candidato derivado dos quadrinhos em categorias técnicas, recurso histórico do reconhecimento, em tom moderado, da Academia.

Na disputa pelos melhores efeitos visuais estão superproduções como Vingadores: Guerra Infinita, Jogador nº 1 (do mesmo Steven Spielberg que alargou os caminhos dos blockubsters, em 1976, com a indicação de Tubarão) e Han Solo: Uma história Star wars (derivado da franquia Star wars que, há 40 anos, colocou George Lucas no páreo de melhor filme e melhor direção). Quem dá falta de Pantera Negra tem o alento: indicado a melhor mixagem de som, a aventura futurista ainda concorre a melhor edição de som, causando estrondo, numa disputa ao lado de Um lugar silencioso, que alcançou a renda de US$ 341 milhões, mundo afora.

Aparecendo ainda na relação dos finalistas a melhor trilha sonora, Pantera Negra ainda está no páreo pela melhor canção original (All the stars), e, em ambos os casos enfrenta outra fita popular, o musical O retorno de Mary Poppins. O embate entre a produção da Disney e do super-herói negro se desdobra na direção de arte (em que enfrentam o longa de época A favorita) e no figurino, em que as produções têm como oponente outra fita que retrata a realeza — Duas rainhas.

Rendidos à comédia
Há uma década, com ampliação do lote de competidores para dez títulos (na categoria central), a ficção científica Avatar, fez história e renda (acumulou US$ 2,78 bilhões), trazendo patamar que nem Pantera Negra (que angariou US$ 1,3 bilhão) bateu. Entre os oito filmes que disputam o Oscar de melhor filme, a comédia (de fundo dramático) Green book — O guia também confirmou a popularidade, com direito a cinco indicações (contabilizados ainda os atores e o roteiro original).

A indicação faz par com casos históricos como o da comédia britânica de Peter Cattaneo Ou tudo ou nada (1998), emplacada na disputa central, ao alinhar desempregados que, mesmo com pouco apelo sexual, recorrem à prática do striptease, por uns trocados a mais.

Mesmo com uma sisudez constante, o volume de filmes menos cabeçudos capazes de fazer a cabeça dos votantes, chega a contemplar até animações, como confirmam as indicações a melhor filme como A Bela e a Fera (1992), Up: Altas aventuras (2010) e Toy Story 3 (2011). Anterior ao feito de Pantera Negra, são as indicações de Mad Max: A estrada da fúria (2016) e a trilogia de Peter Jackson para o clássico O Senhor dos Anéis, que totalizou 30 indicações ao Oscar, levando à vitória de O retorno do rei (2004), que abocanhou todos os 11 prêmios Oscar aos quais competia.


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