Literatura Paulo Braz lança livro de memórias, desafios e dicas sobre produção cultural no Recife Conhecido por comandar eventos como o Siri na Lata, paraibano radicado em Pernambuco tem mais de 30 anos no ramo

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 05/02/2019 09:20 Atualizado em: 05/02/2019 12:21

Foto: Rafael Pavarotti/Divulgação
Foto: Rafael Pavarotti/Divulgação

Após 21 anos sem relações diplomáticas com Cuba devido ao regime militar, o Brasil reatou seus vínculos com a ilha vermelha em 1985. Na primeira leva de brasileiros a pisarem em Havana após a redemocratização, estava o paraibano radicado em Pernambuco Paulo Braz. “Foi um desembarque em alto nível, com direito a tapete vermelho na porta do avião”, relembra ele, hoje com 65 anos. A motivação da visita era um congresso de psicologia, mas aquela viagem faria sua vida enveredar para um caminho profissional totalmente inesperado: produtor e empresário da noite.

“Fiquei encantado com a malemolência do povo de lá. Os homens eram mais soltos para dançar. Pensei que o povo pernambucano poderia ter esse mesmo potencial em festas”, relembra ele, em entrevista ao Viver. “Eu tinha essa coisa da festa dentro de mim, mas ainda não tinha tido a oportunidade de extrair.” Quando voltou da ilha socialista, fechou seu consultório de psicólogo e pediu demissão de um cargo concursado no Banco Central. Desde então, abriu sete casas noturnas, comandou 21 réveillons e 30 selos de festas, com destaque para os bailes do bloco carnavalesco Siri na Lata.

Desde 2016, quando completou três décadas no ramo, ele começou a escrever um livro para relatar toda sua experiência na área. Meu peito é feito de festa (Zolu, 229 páginas) será lançado nesta quarta-feira (6), às 18h, em um evento na Mercearia do Braz, seu atual empreendimento, localizado no bairro da Boa Vista.

Edição do Siri na Lata, tradicional prévia carnavalesca do Recife. Foto: Armando Artoni/Divulgação
Edição do Siri na Lata, tradicional prévia carnavalesca do Recife. Foto: Armando Artoni/Divulgação
"Quando comecei a fazer festas, priorizei três características principais: elas tinham de ter um belo cartaz, uma história para contar e uma trilha sonora diferente. Quando você junta todos esses elementos, você atrai pessoas para seu evento”, conta o produtor. “A Torre Malakoff, que ainda estava em ruínas, os jardins da Academia Pernambucana de Letras e do Museu do Estado foram alguns locais utilizados. Os lugares eram escolhidos de acordo com a temática e o tempo”, relembra.

O pontapé para a trajetória de produto foi o selo Pé-de-Valsa Entertainments, com festas como O Baile, Fascination e Os Incríveis Anos 60, e o primeiro réveillon, no Clube Israelita, chamado Réveillon Pé-de-Valsa. Ao longo dos anos, Paulo foi colecionando os cartazes dos eventos e algumas notas e destaques em jornais impressos, criando um acervo para um possível projeto futuro. É justamente nesses arquivos que o livro se ancora, além das lembranças e reflexões presentes no texto.

“Eu sempre fiz observações durante as noites. Escrevia em guardanapos, pedaços de papel e ia guardando em um baú. Comecei a perceber que existiam diversos fatores que contribuem para o sucesso de uma festa. Como podemos ter a percepção de que aquele local pode bombar? Essa percepção é que faz a diferença”, afirma Braz.

Foto: Zolu/Dovulgação
Foto: Zolu/Dovulgação
Nos primeiros capítulos, Braz aposta em um tom cronológico. Conta brevemente lembranças da infância em Sumé, no sertão da Paraíba. Ele chegou ao Recife no Natal de 1969, com 15 anos e duas mudas de roupa, para morar na casa de um tio que não conhecia. Anos depois, foi office boy na Credinorte, funcionário concursado do Banco Central e estudante de psicologia na Universidade Católica de Pernambuco.

Depois, a obra parte para uma narrativa mais temática. Festas, casas noturnas, Réveillons e Siri na Lata são alguns dos capítulos. No final, existem duas sessões bastantes específicas: Nem tudo são flores, onde ele relata as dificuldades e os episódios frustrantes, e Dicas, com um apanhado precioso de orientações e indicações resultantes de mais de 30 anos no ramo noturno.

Além das imagens, há um destaque para as ilustrações multicoloridas do cubano radicado no Recife Davi Afonzo, que substituiu a pernambucana Joana Lira na produção da decoração urbana do Carnaval do Recife. A Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) colaborou com a impressão. Ao tentar concluir, em resumo, tudo o que aprendeu durante sua trajetória na noite, Paulo Braz sintetiza: “Nesse ramo, o tempo de vida de tudo é muito curto. A inteligência é saber chegar antes dos outros e parar antes da decadência".

Serviço
Lançamento de Meu peito é feito de festa, de Paulo Braz
Onde: Mercearia do Braz (Rua Visconde de Goiana, 139, Ilha do Leite)
Quando: quarta-feira (6), a partir das 18h
Quanto: entrada gratuita
Preço do livro: R$ 50


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