AJUDA Em crise financeira, Centro Daruê Malungo faz show beneficente e pede doações Centro de Educação e Cultura do bairro de Chão de Estrelas, responsável por formar gerações de músicos e dançarinos, está sem energia elétrica e clama por manutenções

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 25/01/2019 18:54 Atualizado em:

Mestre de capoeira Meia-Noite, fundador do Centro Daruê Malungo. Foto: Celia Santos/Divulgação
Mestre de capoeira Meia-Noite, fundador do Centro Daruê Malungo. Foto: Celia Santos/Divulgação


O Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo, em Chão de Estrelas, Zona Norte do Recife, passa por dificuldades. Fundado há mais de 30 anos pelo mestre de capoeira Meia-Noite, o espaço tem promovido atividades educativas com base em manifestações culturais locais para gerações de crianças e adolescentes moradoras do bairro e de comunidades nos entornos. Gilmar Bola 8 (ex-integrante da Nação Zumbi) e Maureliano (importante confeccionador de instrumentos do maracatu) são exemplos dos que tiveram acesso à arte através da instituição. Desde outubro de 2018, no entanto, o centro não consegue pagar as contas de luz, clama por manutenções e sofreu três roubos que afetaram suas condições estruturais.

É com o objetivo de reverter essa situação que o Daruê Malungo inicia uma campanha para arrecadar fundos. Parte da movimentação será com o evento Coco do Candinhêro, neste sábado (25), na sede do centro. A programação começa às 9h, com atividade de dança feita pelo bailarino e professor Orun Santana, intitulada Malungos - corpo, dança, mente e movimento. O grupo Bongar se apresenta às 15h, com participação especial do rabequeiro Maciel Salú.

“O espaço do centro foi doado pelo pai de Meia-Noite, em 1988, para ser a nossa casa assim que casamos, mas resolvemos fazer um espaço onde pudéssemos trabalhar com crianças”, explica Vilma Carijós, esposa do fundador e atual presidente da instituição. “A ideia seria fazer o trabalho voluntário de manhã, dando aulas pagas de noite para sustentar a casa. Isso não funcionou porque, na época, o bairro de Chão de Estrelas não tinha fácil acesso ou sistema de iluminação eficiente. Acabou virando uma instituição totalmente gratuita para a comunidade e os entornos, como Peixinhos, Arruda e Campo Grande”, continua.

Vilma Carijós, esposa de Meia-Noite e atual presidente da instituição. Foto: Celia Santos/Divulgação
Vilma Carijós, esposa de Meia-Noite e atual presidente da instituição. Foto: Celia Santos/Divulgação


Desde então, o Daruê Malungo acolhe mais de 50 crianças para atividades com foco em dança, capoeira e percussão. Dispõe de uma estrutura com salão principal, biblioteca, sala de vídeo, cozinha, banheiros e uma área externa de lazer. O local conta com o trabalho de uma equipe de educadores e uma pedagoga que, juntos, desenvolvem propostas sociopedagógicas ao público.

Com o tempo, o local passou a ser autenticado legalmente pelo Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica). O reconhecimento, no entanto, não impediu que a situação financeira entrasse em crise depois que a verba de um projeto aprovado no edital do órgão acabou. “Essa situação começou no segundo semestre do ano passado. Em outubro, paramos de pagar a energia, e a Celpe cortou. Ainda sofremos três roubos. Levaram alimentação e vários botijões de gás. Só estamos fazendo comida porque uma de nossas voluntárias está emprestando um botijão”, conta Vilma, que é bailarina e educadora popular.

Além das despesas diárias como energia, água e internet, existe o compromisso com impostos como CIM (Cartão de Inscrição Municipal) e Detran (para manter uma Kombi da casa). “Sempre tivemos doações e também sempre usávamos nossos próprios recursos, mas atualmente a situação não está fácil para ninguém. A ideia é arrecadar fundos para que possamos manter nosso trabalho o ano inteiro”, diz Vilma.

Foto: Celia Santos/Divulgação
Foto: Celia Santos/Divulgação

“Ao longo desses 30 anos, o Daruê Malungo conseguiu fazer diferença na vida de muitas crianças que cresceram e entraram em universidades, foram trabalhar em diversas áreas, até mesmo fora do país, como o bailarino Gustavo Oliveira, que representa danças afro-brasileiras em Portugal. A continuidade do nosso trabalho é importante por episódios como esses”, ressalta Vilma. Ela finaliza explicando que está chamando a ação de “malungos para malungos”, já que na língua iorubá malungo significa companheiro.

Devido aos problemas, atualmente o centro mantém apenas duas atividades (uma de danças afros, outra de percussão), que ocorrem das 14h às 16h30, de segunda a sexta. No carnaval, o Bloco Daruê Malungo geralmente participa da Noite do Maracatu, no Pátio do Terço, Centro do Recife.

SERVIÇO
Coco do Candinhêro
Onde: Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo (Rua Passarela, 18, Chão de Estrelas, Peixinhos)
Quando: neste sábado (25), a partir das 9h
Quanto: doação a partir de R$ 20

PARA DOAR
Banco do Brasil
Agência: 2805-3
Conta: 12160-6
Em nome do Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo
(CNPJ: 35.328.012/0001-24)



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