Mercado Livraria Jaqueira abrirá loja no espaço da antiga Cultura A intenção é tornar o local um 'ponto de encontro' na capital pernambucana, com realização de eventos para aumentar o fluxo de clientes

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 17/12/2018 15:25 Atualizado em: 18/12/2018 11:08

O espaço interno vai simular um jardim, com carpetes verdes, uma jaqueira gigante artificial e uma Kombi equipada com livros. Foto: Ponto 5 Arquitetura/Divulgação
O espaço interno vai simular um jardim, com carpetes verdes, uma jaqueira gigante artificial e uma Kombi equipada com livros. Foto: Ponto 5 Arquitetura/Divulgação


O sentimento de vazio causado pelo fechamento da Livraria Cultura do Paço Alfândega, no Bairro do Recife, já tem data para acabar. Em março de 2019, o espaço volta funcionar como loja da Livraria Jaqueira, que atualmente comanda dois estabelecimentos na Zona Norte da capital pernambucana. O novo empreendimento vai utilizar todo o espaço da antiga megastore, fechada em julho deste ano, com estoque de livros, cafeteria com espaço para 200 pessoas, auditório com 120 lugares e área infantil. O investimento é de R$ 5 milhões, com fomento do Banco do Nordeste. Uma área exclusiva da Disney e um departamento de gráfica rápida estão entre as principais novidades.

O empreendimento aparece como uma aposta curiosa diante da crise no segmento livreiro, com fechamento de estabelecimentos das redes Fnac, Cultura e Saraiva - as duas últimas chegaram a entrar em pedido de recuperação judicial. A mais recente pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), revelou que o faturamento do setor caiu 21% entre 2006 e 2017, o que corresponde a uma perda de R$ 1,4 bilhão.

Apesar disso, a intenção da nova Livraria Jaqueira é justamente reformatar essa noção de varejo com um ambiente amplo, sendo palco constante de atividades e eventos. “O modelo antigo de megastore, como um local que exclusivamente vende produtos, está saturado. Esse setor passa por um momento negativo, mas acreditamos que, para alavancar as vendas, precisamos estar ligados a outros serviços, complementando e impulsionando a venda dos livros”, diz o diretor financeiro da Jaqueira, Antonio Fernandes Neto. Ele vai gerir a nova loja ao lado da prima, Maria Peixoto, diretora financeira da marca.

Para idealizar a unidade, a empresa se inspirou na Cook & Book, empreendimento belga que une o consumo de livros atrelado a outras experiências. “Buscamos trazer uma ideia de consumo integrado, entre livros, acessórios e experiências. Vamos compor essa mistura um pouco distinta, mas sem perder a essência de livraria. É um modelo que a Jaqueira mantém há alguns anos e tem dado certo”, explica Fernandes Neto.

A proposta é criar um ambiente de convivência e interação para toda a cidade, também funcionando como ponto turístico. Para isso, o espaço interno vai simular um jardim, com carpetes verdes, uma jaqueira gigante artificial e uma Kombi equipada com livros. A cafeteria, que já existia na antiga Cultura, terá seu potencial expandido com espaço maior, nova torradeira e opção de compras para viagem. Entre a rua que divide a livraria e o shopping, será montado um espaço externo com mesas para o consumo de café, fortalecendo o potencial de “convivência na cidade”.

A cafeteria, que já existia na antiga Cultura, terá seu potencial expandido com espaço maior, nova torradeira e opção de compras para viagem. Foto: Ponto 5 Arquitetura/Divulgação
A cafeteria, que já existia na antiga Cultura, terá seu potencial expandido com espaço maior, nova torradeira e opção de compras para viagem. Foto: Ponto 5 Arquitetura/Divulgação


O auditório, outro enfoque da loja, vai receber palestras, eventos escolares, aulões para cursinhos de pré-vestibular, contações de histórias e lançamento de livros de autores locais e nacionais. Propostas para mais modalidades de eventos culturais também serão discutidas.

Espaço Disney
O espaço Disney, uma das principais apostas, vai comportar produtos oficiais da empresa norte-americana, indo das princesas aos heróis da Marvel. Ficará no térreo, com decoração lúdica.

O espaço Disney, uma das principais apostas, vai comportar produtos oficiais da empresa norte-americana. Foto: Ponto 5 Arquitetura/Divulgação
O espaço Disney, uma das principais apostas, vai comportar produtos oficiais da empresa norte-americana. Foto: Ponto 5 Arquitetura/Divulgação


"Queremos focar muito nas crianças, assim como já fazemos na Jaqueira da Zona Norte. Vamos realizar espetáculos com teatrinhos, fantoches e muitas atividades. Outra coisa que notamos é que o mercado no Recife está carente de material escolar e livro didático, segmento que vamos focar principalmente na volta às aulas", diz Antônio Fernandes Júnior, sócio da Livraria Jaqueira ao lado do irmão, Gustavo Mendes.

Outras Mudanças
Foto: Nando Chiappetta/DP
Foto: Nando Chiappetta/DP
A reforma do espaço que comportava a Cultura é mais um dos tópicos de um plano que abrange todo o edifício-garagem do Cais Alfândega, como explica Álvaro Jucá, sócio da Cais do Recife ao lado de Marcos Ferraz: “A ideia é construir um complexo de serviços que também conte com pontos de coworking, que são ambientes especialmente pensados para startups e trabalho autônomo, com estrutura para receber pessoas diversas áreas e seus clientes.” A Arcádia do Paço, que funciona nos finais de semana recebendo eventos noturnos, passará a receber reuniões de cunho corporativo. Um bistrô na laje do edifício, com vista para o mar, encerra a lista de novidades.

Histórico
Inaugurada em 2004, a Cultura do Paço Alfândega funcionava como uma espécie de oásis dos livros no Centro do Recife, após o fechamento da Livro 7. Lá, era possível consumir um catálogo considerável de literatura, música, audiovisual, além de estimular crianças a entrar no mundo da leitura. O fechamento ocorreu em 6 de julho, mesma data em que o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de 2018. Ao contrário das especulações, o fechamento não teria sido consequência da crise econômica ou do mercado editorial, mas sim de uma disputa judicial travada há pelo menos dez anos pelo edifício. Atuais e antigos proprietários tinham um impasse e, consequentemente, a livraria estava no meio do processo.



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