Música Resistência da música periférica marca edição de 15 anos do Coquetel Molotov Cerca de 25 atrações subiram em três palcos diferentes do evento, realizado com êxito neste sábado (17)

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 18/11/2018 15:37 Atualizado em: 19/11/2018 09:28

Djonga, MC Troia e Heavy Baile foram os headliners do festival. Foto: Tiago Calazans/Divulgação
Djonga, MC Troia e Heavy Baile foram os headliners do festival. Foto: Tiago Calazans/Divulgação

A resistência da periferia através da música marcou a 15ª edição do festival No Ar Coquetel Molotov, realizada neste sábado (17) no Caxangá Golf & Country Club, onde mais de 25 atrações subiram em três palcos diferentes (Coquetel Molotov, Som na Rural/AESO e Natura Musical). O discurso empoderador atravessou os shows de diversas maneiras, mas teve destaque especial nas três últimas atrações do palco Coquetel Molotov: o rap do mineiro Djonga, o brega-funk de MC Troia e o funk carioca de Heavy Baile. Três gêneros musicais distintos, mas que transmitiram a mesma mensagem: apesar do preconceito, a cultura produzida nas comunidades e favelas brasileiras é energética, legítima e deve ser valorizada.

Os portões do evento foram abertos de 13h, mas o primeiro show teve início às 15h: a banda Guma, que lançou seu álbum de estreia no mês passado, reuniu um público composto por admiradores, amigos e familiares no palco Som na Rural/AESO. A primeira atração a atrair uma multidão foi Duda Beat, que subiu no Palco Natura às 16h30. Em seu segundo show em Pernambuco (após o MECABrennand, realizado setembro), a recifense cantou as faixas de Sinto muito, seu primeiro disco de estúdio. No final, fez um dueto com o pernambucano Romero Ferro em Corpo em brasa, além de um cover em português de High by the beach, de Lana del Rey. 

Romero Ferro e Duda Beat, que cantaram juntos no palco Natural, nos bastidores. Foto: Divulgação
Romero Ferro e Duda Beat, que cantaram juntos no palco Natural, nos bastidores. Foto: Divulgação

Os admiradores do gênero indie prestigiaram de perto o trabalho solo do francês Julien Barbagallo, baterista do Tame Impala. Outro nome internacional foi o kiwi Connan Mockasin. Mais uma grande porte nessa linha foi a aclamada banda goiana Boogarins, que se apresentou no festival Coachella (EUA) neste ano. No palco Coquetel Molotov, o Mestre Anderson Miguel trouxe todas as sonoridades do grupo de maracatu de baque solto Cambinda Brasileira, de Nazaré da Mata. Acompanhado pelo padrinho Siba, que ficou na guitarra, o pernambucano apresentou canções do álbum Sonoros. Nos momentos finais, conseguiu fazer com que o público se sentisse em um verdadeiro carnaval.

Como esperado, a "sequência final" do palco principal foi o ápice da noite. Djonga trouxe seus versos sagazes e ameaçadores, com destaque para Música da mãe e Olho de tigre. Nesta última, o público promoveu uma grande "rodinha punk", indo ao êxtase ao gritar o refrão: "fogo nos racistas". No final, as integrantes do Slam das Minas PE subiram no palco. "Valorizem a cultura da área de vocês. Festival nenhum iria acontecer se não fossem por essas pessoas", finalizou o rapper, ovacionado pelo público.

MC Troia reúne multidão no Palco Coquetel Molotov. Foto: Tiago Calazans/Divulgação
MC Troia reúne multidão no Palco Coquetel Molotov. Foto: Tiago Calazans/Divulgação

A exaltação da cultura negra continuou com a apresentação histórica de MC Troia, a primeira atração de brega-funk do Coquetel Molotov. O espaço estava lotado para ver o astro local, que chegou a mergulhar no mar de pessoas. Acompanhado de quatro dançarinos (incluindo a famosa Dani Costa), Troinha cantou todos sucessos de sua carreira, incluindo algumas faixas mais antigas como Quer não é carai. Seu show contou participação especial de Lipinho Dantas, que foi back vocal e cantou duas músicas sozinho. "Essa foi uma das melhores festas em que eu já cantei", revelou o MC, antes de sair do palco.

Os cariocas do Heavy Baile conseguiram cumprir a tradição de encerrar o line up com chave de ouro. O grupo comandado por MC Tchelinho realizou um grande espetáculo fincado nas raízes do funk carioca, animando um público já cansado. O ritmo foi explorado em todo seu potencial, dos sucessos antigos às novidades, incluindo coreografias elaboradas e uma narrativa um tanto teatral. De todas os bandas, essa foi a que mais disparou discursos de protesto contra o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

O duo de música eletrónica Selvagem encerrou o festival. Foto: Flora Pimentel
O duo de música eletrónica Selvagem encerrou o festival. Foto: Flora Pimentel

Os remanescentes ainda prestigiaram sonoridade rebuscada de Selvagem (SP), composta por música eletrônica com toques brasileiros. Assim como em 2017, a apresentação ficou por conta de Maria Clara Araújo, ativista dos direitos das pessoas trans. O público também pôde frequentar o o salão contemporâneo de tatuagem e uma feirinha ao ar livre com produtos oficiais do festival. Um stand da TNT Energy Drink ofereceu drinks exclusivos preparados na hora. 

A estrutura do Caxangá Golf & Country Club, que passou a sediar o festival em 2017, foi ainda melhor aproveitada neste ano. A utilização de "caixas móveis" facilitou a questão das filas que atormentam festivais em todo o país. Apesar disso, muitos tiveram de esperar um tempo considerável para conseguir comprar os copos oficiais. No geral, o festival cumpriu sua missão de entregar uma experiência completa. Em outras palavras, o "baile de debutantes foi um sucesso".



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