Cinema Sucesso na internet, Choque de Cultura lança livro no Recife 79 Filmes Para Assistir Enquanto Dirige traz as características do 'programa cultural com os maiores nomes do transporte alternativo do país'

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 08/11/2018 08:41 Atualizado em:

Rogerinho do Ingá (Caíto Mainier), Maurílio dos Anjos (Raul Chequer), Julinho da Van (Leandro Ramos) e Renan (Daniel Furlan), os integrantes do Choque de Cultura. Foto: Arthur Menine/Globo
Rogerinho do Ingá (Caíto Mainier), Maurílio dos Anjos (Raul Chequer), Julinho da Van (Leandro Ramos) e Renan (Daniel Furlan), os integrantes do Choque de Cultura. Foto: Arthur Menine/Globo

Há pouco mais de um ano, a crítica cinematográfica do país ganhou novas e inusitadas vozes: quatro motoristas (ou pilotos, como eles preferem ser chamados) que dão seus pitacos sobre o cinema. Rogerinho do Ingá (Caíto Mainier), Maurílio dos Anjos (Raul Chequer), Julinho da Van (Leandro Ramos) e Renan (Daniel Furlan), os integrantes do Choque de Cultura, o autointitulado “programa cultural com os maiores nomes do transporte alternativo do país”, fizeram sucesso na internet, estão em exibição na TV aberta e, agora, embarcam na literatura, com o lançamento do livro 79 filmes para assistir enquanto dirige (Galera Record, 240 páginas, R$ 37,90). A trupe participa, nesta quinta-feira (8), de lançamento e sessão de autógrafos na Livraria Leitura, no Shopping Tacaruna (Avenida Gov. Agamenon Magalhães, 153, Santo Amaro), a partir das 18h30.

Além dos quatro protagonistas, o livro leva a assinatura de David Benincá, Fernando Fraiha, Juliano Enrico e Pedro Leite, que, junto aos atores, integram o time de roteiristas da TV Quase, produtora responsável pelo Choque de Cultura e outras atrações, incluindo o talkshow O último programa do mundo, o esportivo Falha de cobertura e a animação Irmão do Jorel, exibida no Cartoon Network. Lançado originalmente como quadro semanal do site Omelete, o Choque conquistou fãs pelo humor absurdo das críticas e comentários sobre filmes feitos pelos motoristas, que consideram a franquia Velozes e Furiosos o ápice da Sétima Arte e definiram 2001: Uma odisseia no espaço como “um Guerra nas estrelas sem guerra”. Atualmente, a atração vai ao ar aos domingos, na Globo, após o Temperatura Máxima.

O livro reproduz o estilo visto no quadro humorístico e traz 79 críticas feitas pelos pilotos cinéfilos e, segundo a sinopse, a ideia inicial era contemplar 80 filmes, mas Julinho não entregou a tempo o texto sobre E se eu fosse você 2. Apesar de trazer referências a piadas feitas anteriormente no programa, a publicação traz exclusivamente conteúdos inéditos, evitando a repetição do que já foi abordado anteriormente pela trupe.

Cada um dos títulos selecionados traz, na resenha, um subtítulo que sintetiza a obra, como Tortura policial para toda a família, a respeito de Tropa de elite (2007) ou Todo mundo odeia Cristo, no caso de A paixão de Cristo (2004). Além das resenhas, o volume traz a biografia de cada um dos quatro pilotos, amarrando elementos apresentados ao longo dos programas, além de um glossário assinado por Maurílio, conhecido como o “palestrinha” do grupo.

“A gente escreveu com a voz dos caras”, explica Leandro Ramos, responsável pelo papel de Julinho da Van, personagem dono de uma Sprinter branca. Ele explica que, embora cada ator seja mais diretamente responsável pelo conteúdo relativo à sua contraparte, tanto no programa quanto no desenvolvimento do livro o trabalho é todo feito de maneira coletiva. “O processo de feitura do Choque é quase artesanal, e a gente fez o mesmo com o livro”, observa, acrescentando que todos participam coletivamente nos roteiros e ensaios.

MÉTODO DE ESCOLHA
Sobre a escolha dos títulos selecionados, Caíto Mainier diz que não houve um método específico. “O primeiro critério foi de gosto pessoal, de filmes mais significativos para a gente. Depois, a gente pegou algumas listas, de maiores bilheterias, de sucessos”, explica. Ele também conta que, seguindo a lógica do programa, não necessariamente os filmes foram vistos no processo de escrever sobre eles. “Até porque, muitas vezes, como acontece no Choque, a gente não fala exatamente do filme, mas de uma parada completamente diferente”. Entre os títulos que reviu, o ator/roteirista cita Matrix, Stallone Cobra, O Poderoso Chefão (“sempre revejo”), e Te pego lá fora.

Questionado sobre os resultados da presença do Choque na TV aberta, Caíto diz que é um pouco mais difícil de mensurar do que na internet, já que o programa tem uma duração relativamente pequena, de cerca de cinco minutos e meio, e não tem o poder de replicação da internet. “A galera que nunca viu, ama ou odeia, é muito fora da curva. A gente não ri, os personagens fazem tudo super sérios. É até difícil identificarem que é um programa de humor”, conta.

Próximos passos
Com exibição na Globo prevista, inicialmente, para até o início de dezembro, quando acabar o Campeonato Brasileiro, os integrantes do Choque planejam uma nova temporada do programa para a internet e até mesmo um filme com os pilotos, previsto para 2020. Segundo Caíto Mainier, o longa está em fase inicial de produção e a ideia é escrever o roteiro a partir do próximo ano. “O que a gente quer é mostrar a vida deles fora do programa”, diz Mainier, explicando que o filme deve ser uma aventura e que uma das ideias é uma história envolvendo o sequestro de Renanzinho, o filho de Renan. A estrutura da trama também não foi definida ainda, mas o ator diz que uma das possibilidades é seguir um formato parecido com o de Pulp fiction (1995), com histórias separadas que, ao final, conectam os personagens.

Os palcos também podem estar na mira dos comediantes, revela Leandro Ramos. “A gente tem vontade de fazer um musical da TV Quase”, conta.


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