Cinema Quinze anos depois, Johnny English volta aos cinemas com ingênua comédia pastelão O terceiro filme da franquia estreia nos cinemas nesta quinta-feira

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 01/11/2018 08:15 Atualizado em:

Filme é marcado por gadgets mirabolantes que, não raro, provocam desastres, confrontos amalucados, perseguições frustradas. Foto: Universal/Divulgação
Filme é marcado por gadgets mirabolantes que, não raro, provocam desastres, confrontos amalucados, perseguições frustradas. Foto: Universal/Divulgação

Vez por outra o cinema proporciona a volta daqueles que não faziam, exatamente, falta. Johnny English 3.0, em exibição a partir desta quinta-feira, é um desses casos. Terceiro capítulo de uma franquia mediana, cujo último filme foi em 2011, este novo título parece um lançamento deslocado do tempo e despropositado, cujo único trunfo é ter Rowan Atkinson como protagonista, um ator que segue eficiente na comédia física que o tornou famoso desde os tempos do personagem Mr. Bean.

Há de se considerar que as comédias de espionagem são, para além da sátira, quase um gênero à parte, dada a quantidade de títulos existentes. Do infame Casino Royale (1967) ao célebre Austin Powers (1997-2002), esse modelo reaparece ciclicamente nas telas, incluindo exemplos mais recentes, como A espiã que sabia de menos (2015) ou Meu ex é um espião (2018). Enquanto boa parte desses títulos trouxe algo fora a gozação em cima dos filmes de espião, Johnny English surgiu, exclusivamente, como uma caricatura de James Bond.

Mesmo sem arroubos de originalidade, o primeiro Johnny English (2003) funcionou ao se propor como simples sátira. Quinze anos depois da estreia, essa proposta é mantida, o que não seria um grande problema se o humor não soasse um tanto datado. No terceiro filme da série, dirigido por David Kerr, Johnny English está aposentado e trabalha como professor infantil.

Após um ataque hacker que expõe para o mundo a identidade secreta dos agentes do MI7, departamento de inteligência e espionagem britânico, antigos espiões são convocados para investigar as origens do crime cibernético. Uma das últimas esperanças da organização, English embarca na missão ao lado do antigo parceiro, Bough (Ben Miller).

O que se vê no filme é uma sequência de situações parecidas com cenas já vistas nos outros filmes da série e títulos do gênero. Gadgets mirabolantes que, não raro, provocam desastres, confrontos amalucados, perseguições frustradas etc. Extremamente modular, o roteiro de William Davies (Como treinar seu dragão) constrói sequências que funcionam praticamente como esquetes humorísticos.

Algumas sequências divertem, mas, no geral, a produção não vai além de uma comédia pastelão qualquer, com um humor predominantemente ingênuo, nos moldes do que chamamos “filme para toda a família”. Rowan Atkinson é engraçado e continua se mostrando talentoso naquilo que o consagrou: caretas e expressão corporal intensa. Ainda assim, pesa um pouco a repetição de papéis desse tipo desastrado e um tanto burro.

Com poucas piadas que realmente valem, não é um filme brilhante nem terrivelmente ruim, apenas pouco marcante, capaz de proporcionar gargalhadas pontuais. É um entretenimento bobinho que, se passa longe de ser um bom exemplo do humor britânico, é, ao menos, uma oportunidade de reencontro com Rowan Atkinson, hoje visto quase que exclusivamente em produções britânicas para a TV que raramente chegam ao Brasil.


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