teatro Em tom de protesto, espetáculo Gota Dágua traz olhar contemporâneo para Pernambuco Montagem clássica do texto de Chico Buarque e Paulo Pontes será encenada neste fim de semana no Teatro Guararapes

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 27/10/2018 12:46 Atualizado em: 27/10/2018 13:05

A nova adaptação da tragédia grega Medeia, de Eurípides, é narrada pelos atores Alejandro Claveaux e Laila Garin. Foto: Elisa Mendes/Divulgação
A nova adaptação da tragédia grega Medeia, de Eurípides, é narrada pelos atores Alejandro Claveaux e Laila Garin. Foto: Elisa Mendes/Divulgação

Com um olhar contemporâneo para encenação, música e, principalmente, dramaturgia, a nova versão do espetáculo Gota d’água, montagem clássica do texto de Chico Buarque e Paulo Pontes (1940-1976) encenada na década de 1970, chega a Pernambuco para duas apresentações no Teatro Guararapes, em Olinda. A nova adaptação da tragédia grega Medeia, de Eurípides, é narrada pelos atores Alejandro Claveaux e Laila Garin e estará em cartaz neste sábado (27), às 21h, e no domingo (28), às 19h, com ingressos vendidos por R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia), na bilheteria do teatro, nas lojas Ticketfolia ou através do site Eventim. 

Sob direção de cena de Rafael Gomes e direção musical de Pedro Luís, a narrativa gira em torno da relação entre Jasão e Joana, no conflito entre homem e mulher, pai e mãe, o que abandona e o que é abandonado, o opressor e o oprimido, a ambição contra a gratidão e o pobre versus o rico. “Nossa versão só tem Jasão e Joana como personagens. Toda história é contada por eles. Toda tensão é concentrada neles. Na original, há 18 personagens e só tem quatro músicas. Na nossa versão, são 13 músicas de Chico Buarque. Acrescentamos: Cálice, Pedaço de mim, Caçada, Você vai me seguir e Mulheres de Atenas”, adianta a atriz Laila Garin.

Quando Gota d'água estreou, em dezembro de 1975, Bibi Ferreira e Paulo Pontes estavam à frente do elenco. Ameaçada de censura pela ditadura militar, a peça só foi liberada depois de Pontes negociar cortes. A ousadia dramatúrgica de Chico Buarque e Paulo Pontes está na construção, inteiramente em versos, da narrativa de uma tragédia ocorrida em um conjunto habitacional brasileiro. “Esta nossa versão foi apresentada em momentos diversos do país e sem acrescentarmos nada ao texto, a cada fase o espetáculo é ressignificado. Fizemos ainda enquanto Dilma era presidente, depois fizemos durante o impeachment, fizemos depois do impeachment e agora no meio das eleições com a perspectiva tenebrosa de elegermos um candidato que faz apologia à tortura”, diz Garin.

Uma das composições de Chico que entrou para o repertório foi Cálice, composta durante a ditadura militar no Brasil. Para Laila, essa canção poderia ser algo mais abstrato, como um clamor de uma força oprimida. “Era para ser uma metáfora. Mas diante das ameaças de vários candidatos que dizem que irão calar, submeter ou exilar qualquer um que apenas discorde deles, Cálice se atualiza a partir deste contexto de horror”, comenta, sobre a música em que sua personagem canta para Jasão, que a abandonou para se casar com a filha de um homem poderoso e rico. Existem mais nove músicas de Chico Buarque no espetáculo e alguns versos citados de outras canções. 

Todos os recursos usados na nova versão são completamente teatrais, sem referências à TV ou ao cinema. Os atores também foram fiéis aos personagens da primeira versão. Joana é a mesma e Jasão também, mas seu conflito entre o lado dos poderosos ou explorados o faz ter um pouco de Egeu do original. “Nossa intenção é que o espectador não julgue nem Jasão nem Joana, que possa se identificar com os dois e com esta história de amor e traição”, diz a atriz, que ganhou notoriedade ao reviver Elis Regina em um musical.

O próximo desafio de Laila Garin é no cinema, interpretando outra cantora: Clara Nunes. “É uma participação especial no filme sobre o Chacrinha. É uma homenagem a ela e principalmente à relação dos dois. Elis era teatro e era uma peça sobre a própria Elis. Outra linguagem e outra quantidade de trabalho. Muito mais tempo de preparação, ensaio. Mas cantei em ambos os casos com meu coração e minha alma. Busquei a essência de amor e luz de Clara como todos sempre falam que ela tinha. Sei que Elis não ficou com ciúmes, porque tinha uma foto de Clara no camarim dela”, brinca.

Serviço
Gota D’Água [a seco]
Quando: sábado, às 21h, e domingo, às 19h
Onde: Teatro Guararapes – Centro de Convenções de Pernambuco
Quanto: R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia) 
Informações: (81) 3182.8020


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.


Últimas