Cinema Novo Halloween revigora franquia e presta homenagem ao clássico de 1978 Dirigido por David Gordon Green, sequência traz de volta Jamie Lee Curtis como protagonista

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 24/10/2018 09:33 Atualizado em: 24/10/2018 09:34

Lançamento é o 11º título da franquia iniciada no fim dos anos 1970. Foto: Universal Pictures/Divulgação
Lançamento é o 11º título da franquia iniciada no fim dos anos 1970. Foto: Universal Pictures/Divulgação

Salvo raríssimos casos, reboots, continuações ou revitalizações de franquias consagradas do terror têm se mostrado um desperdício, vide o exemplo da maior parte das últimas releituras de títulos como A hora do pesadelo, Sexta-feira 13 ou O massacre da serra elétrica. Outro nome famoso desse filão, Halloween, lançado originalmente em 1978, teve, após a competente estreia, uma filmografia cambaleante, mas retorna aos cinemas com o 11º filme da série a partir de quinta-feira.

Inovador e marcante, o primeiro Halloween – A noite do terror (1978), de John Carpenter, virou marco do gênero, trouxe um novo personagem para a galeria de grandes vilões do cinema e ainda se manteve por muitos anos como a mais lucrativa produção cinematográfica independente. O saldo das cinco primeiras continuações (1981, 1982, 1988, 1989, 1995) foi, no mínimo, irregular, principalmente a partir do quarto longa-metragem.

Celebrando duas décadas do lançamento original, o razoável Halloween H20 (1998) ignorou todas as continuações e trouxe um encerramento para a história iniciada em 1978. O desfecho, no entanto, foi ignorado e o assassino Michael Myers foi trazido de volta à vida em Halloween: Ressurreição (2002), provavelmente o pior de toda a franquia. Encerraram essa desastrosa sequência os horrorosos remakes Halloween: O início (2007) e Halloween 2 (2009), ambos dirigidos por Rob Zombie. Considerando o histórico, é de se encarar o novo Halloween com certa desconfiança.

Mas o receio se mostra infundado já nos momentos iniciais deste mais recente capítulo da série. Também ignorando as continuações, a produção comandada por David Gordon Green considera para a trama o tempo transcorrido entre os dois lançamentos: quatro décadas após a série de assassinatos cometidos o criminoso mascarado Michael Myers consegue escapar da prisão para aterrorizar, mais uma vez, a cidade de Haddonfield, em pleno Halloween.

Sobrevivente das investidas do psicopata, Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) volta a ser novamente um alvo. De volta ao papel, Curtis entrega o retrato de uma vítima que, sim, carrega traumas, mas passa longe de ser uma figura fragilizada ou uma mulher vulnerável, caracterização das mais recorrentes no subgênero do terror slasher, que envolve assassinos psicopatas. Um tanto fria e desconfiada, esta Laurie madura é vista por todos ao redor como um reclusa e paranoica.

Ao antigo trauma, é acrescida uma perda com outro tipo de impacto emocional: a perda da guarda da filha, que ainda jovem foi separada da mãe, considerada incapaz de cuidar da criança por conta das sequelas deixadas por Myers. Mesmo adulta, Karen (Judy Greer) mantém certa distância de Laurie e culpa a pela infância complicada que teve, em que deixou as brincadeiras de lado para se submeter a uma série de treinos de sobrevivência impostos pela mãe. Por outro lado, a neta Allyson (Andi Matichak) se mostra muito mais compreensiva e ligada à avó.

Enquanto nos filmes anteriores da série – e em praticamente todos os filmes de terror – o encontro entre vítima e algoz é algo indesejado pelos protagonistas, este Halloween traz uma quebra de expectativas. Tão ou talvez até mais desejosa desse reencontro do que o próprio Michael Myers, Laurie busca revidar e aplacar, em definitivo, os temores do passado.

Com acenos para o primeiro Halloween, mas personalidade para além das autorreferências, o novo filme é um terror muito bem realizado, com bons momentos de horror e tensão construída adequadamente. O trio de mulheres protagonistas traz uma dinâmica interessante e deixa de lado, em algumas passagens, a representação típica da heroína solitária. Finalmente, uma sequência realmente memorável para uma franquia que merecia um olhar mais atencioso.

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