Dança Contemporânea Bailarina Patrícia Pina Cruz estreia solo sobre opressões sociais no Hermilo Z.I.G.O.T.O - A primeira célula de um novo ser estreia neste sábado, no Teatro Hermilo, e segue em cartaz durante o mês de setembro, aos sábados e domingos

Por: Júlia Galvão

Publicado em: 14/09/2018 19:43 Atualizado em: 15/09/2018 10:45

Foto: Clarissa Lambert/Divulgação (Foto: Clarissa Lambert/Divulgação)
Foto: Clarissa Lambert/Divulgação
'Quem somos verdadeiramente em essência?'. O questionamento reverbera na performance de dança contemporânea Z.I.G.O.T.O - A PRIMEIRA CÉLULA DE UM NOVO SER. O solo da bailarina pernambucana Patrícia Pina Cruz inicia temporada no Teatro Hermilo Borba Filho neste sábado e segue em cartaz em setembro, aos sábados (20h) e domingos (19h). As apresentações são gratuitas, e a retirada dos ingressos deve ser feita uma hora antes do início do espetáculo. 

O zigoto é responsável por formar todo o nosso organismo, ele se forma quando os gametas masculino e feminino se unem. Partindo do conceito do primeiro estágio do desenvolvimento do embrião humano e de referências do teatro da crueldade, a montagem busca despertar no público questionamentos sobre o poder dos gêneros e a supremacia de um perante o outro. "Z.I.G.O.T.O faz um recorte do feminismo negro, da pedofilia, do machismo. O espetáculo abraça todas as pessoas oprimidas socialmente, deixando o público em total desconforto", explica a bailarina, coreógrafa e pesquisadora em Dança Patrícia Pina Cruz.

Inicialmente, o espetáculo se encaixava num molde de 15 minutos. "Eu queria experimentar coisas e batizei de ‘work in progress’ porque, a cada apresentação, eu colava coisas que o público me dava. E é assim até hoje", revela. Após aprovação no Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), a duração foi estendida para 60 min. 

Durante o processo de criação, a necessidade de se manifestar politicamente foi o grande impulso para Patrícia construir o solo. Ela conta que a dança contemporânea levou-a questionar sobre a necessidade de desapego das formas, da educação de código formal dos corpos. 

Assim como a dança, as mazelas sociais, como o racismo e machismo, foram fatores determinantes para o resultado final. “Nasci numa família patriarcal, onde não aceitavam minha cor, nem a própria cor. Vivi no “entre” durante a minha vida e sempre fui tensionada por essas questões”. 

Com direção de Black Escobar, que também faz participação no espetáculo, iluminação de Cleison Ramos e produção de Bárbara Aguiar, a performance conta ainda com um bate papo após todas as sessões. As apresentações contam com tradução em libras. 

SERVIÇO

Z.I.G.O.T.O. - A PRIMEIRA CÉLULA DE UM NOVO SER
15,16,22,23,29,30 de setembro 
Sábados, às 20h 
Domingo, às 19h 
Tradução em Libras
Local: Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, 142 - Recife, PE, 50030-220) 
Censura: 16 anos
Capacidade por sessão: 80 pessoas 
Entrada gratuita (distribuição de ingressos 60 min antes do início das sessões)







Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.


Últimas