show Capital Inicial e Biquini Cavadão apresentam canções politizadas e hits românticos no Classic Hall Originadas nos turbulentos anos 1980, as bandas tocam hoje na primeira edição do festival Summer Nights

Por: Caio Ponciano

Publicado em: 14/09/2018 10:10 Atualizado em:

Capital e Biquini estão com novos trabalhos. Fotos: Divulgação
Capital e Biquini estão com novos trabalhos. Fotos: Divulgação

A década de 1980 no Brasil foi marcada pela transição do regime militar para a democracia. No período de luta para o povo ter voz, bandas de diferentes regiões do país surgiram no cenário do rock nacional, com letras politizadas e liberais, criando um movimento chamado de Geração 80. Formadas em 1982 e 1983, respectivamente, Capital Inicial e Biquini Cavadão são dois exemplos dessa época. Eles se apresentam nesta sexta-feira (14), a partir das 22h, na primeira edição do festival Summer Nights, no Classic Hall, em Olinda.

Bruno Gouveia, Carlos Coelho, Miguel Flores e Álvaro Lopes, integrantes do Biquini Cavadão, serão os primeiros a subirem ao palco. O show é derivado do álbum As voltas que o mundo dá, lançado neste ano, que tem composições sobre encontros e a vulnerabilidade da vida. Sucessos que marcaram 35 anos de trajetória, como Tédio, Timidez, Vento ventania, Zé ninguém, Janaína e Dani, também estão garantidos no repertório. Paralelo ao disco de inéditas, a banda carioca lançou recentemente uma coletânea do selo Perfil, que, dessa vez, não é regido apenas pela nostalgia. “Conseguimos incluir versões atualizadas das nossas músicas e raridades, como a versão light de Em algum lugar no tempo, e a versão original de Vou te levar comigo, que fizemos para a televisão”, explica Bruno.

Capital Inicial também vai apresentar um novo trabalho. O grupo brasiliense tem apostado em lançamento de músicas avulsas antes de mostrar o novo disco, Sonora. Apesar de o vocalista Dinho Ouro Preto não gostar desse método, ele reconhece que a música parece se adaptar ao tempo e à plataforma na qual é divulgada. “Na época do vinil, havia uns 18 a 20 minutos de cada lado. E as bandas acabavam se adequando a esse espaço. Com o CD, não havia mais limite e todos começaram a fazer discos imensos. Com o streaming, tudo mudou mais uma vez. Parece que a atenção das pessoas se diluiu e a forma de manter o interesse aceso é com lançamento paulatino”, acredita.

O novo projeto está sendo produzido de outro jeito. “Como uma banda veterana, temos uma personalidade conhecida. Porém, a cada disco, buscamos sonoridades alternativas. Acredito que essa é a forma de evitar a previsibilidade.” Ainda sem data para o lançamento do disco, a banda já divulgou as músicas Não me olhe assim, Tudo vai mudar, Tempestade e Seja o céu. No show, também vai relembrar clássicos, como Primeiros erros, À sua maneira, Não olhe pra trás e Que país é esse?

Serviço
Summer Nights com Capital Inicial e Biquini Cavadão
Quando: hoje, às 22h
Onde: Classic Hall (Av. Agamenon Magalhães, s/n, Salgadinho, Olinda)
Quanto: R$ 50 (pista), R$ 100 (frontstage), R$ 200 (mesa VIP), R$ 300 (mesa premium), R$ 1200 (camarote 3° piso), R$ 1400 (camarote 2° piso) e R$ 1600 (camarote 1° piso), à venda na bilheteria do local ou através do site Eventim
Informações: (81) 3427-7501

Entrevista // Dinho Ouro Preto e Bruno Gouveia - vocalistas do Capital Inicial e Biquini Cavadão

Após mais de 30 anos de carreira, como fazem para não cair na mesmice?
Dinho: Não é fácil. Porque parte da graça de uma banda é a sua personalidade. Justamente o que define a sua sonoridade é a previsibilidade. Então, em alguma medida, espera-se que ela soe sempre igual. Mas acredito que haja margem para manobra. É possível ser fiel às suas raízes e, ao mesmo tempo, experimentar.
Bruno: Compondo músicas novas e buscando não se repetir. Nosso disco mais recente foi todo de inéditas. O próximo trará músicas em homenagem à obra de Herbert Vianna. Ainda temos muito prazer em fazer shows, conhecer novos lugares e principalmente pessoas.

Nem todas as bandas dos anos 1980 conseguiram se reinventar e permanecer na ativa. Como vocês avaliam isso?
Dinho: No nosso caso, estamos sempre procurando novas parcerias. Tanto na composição quanto na produção. É preciso fazer um esforço deliberado para cada projeto partir de um conceito claro que dê espaço para renovação.
Bruno: Eu acho que o Biquini teve uma condição especial, pois nossas músicas não se prenderam a um tempo específico. A menina de 15 anos que hoje se apaixona por Timidez, talvez não saiba que esta foi a canção que enamorou seus pais 20 anos atrás.

É difícil fazer rock no Brasil hoje em dia?
Dinho: É mais difícil do que foi no passado. Há menos espaço, mas há muito talento. Ouço muitas bandas geniais de todos os cantos do país. Acho que não devemos nos distrair com o que acontece em nossa volta, ou reclamar da falta de espaço, devemos seguir em frente com o que temos. É sempre bom lembrar que quando nós começamos não havia espaço algum.
Bruno: Permanecer sempre foi a parte mais difícil. Chegar é bem mais fácil. Ficar, não. A grande crise acontece depois dos dez anos.


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