Literatura Academia Pernambucana de Letras se abre para a sociedade com novidades, eventos e música Instituição histórica, atualmente presidida por Margarida Cantarelli, também está lançando uma revista digital de poesias

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 10/08/2018 10:13 Atualizado em: 11/08/2018 08:44

Anteriormente residência de um rico comerciante português, o casarão solar do século 19 se tornou um dos polo da elite intelectual local. Foto: APL/Divulgação
Anteriormente residência de um rico comerciante português, o casarão solar do século 19 se tornou um dos polo da elite intelectual local. Foto: APL/Divulgação


Reformas em portos, avenidas e construções de prédios inspirados em Paris marcaram o Recife dos primeiros anos da República Velha. Era uma metrópole que desejava modernização por incorporar os anseios que emanavam da Belle Époque europeia. Foi nesse cenário político-cultural, em 1901, que o escritor Carneiro Vilela fundou a Academia Pernambucana de Letras, a terceira instituição desse tipo no Brasil - a primeira foi a Academia do Ceará, seguida pela Academia Brasileira. Para a sede, foi escolhida uma construção situada no número 1.596 da Avenida Rui Barbosa, no bairro das Graças, Zona Norte da capital.

Anteriormente residência de um rico comerciante português, o casarão solar do século 19 se tornou um dos polos da elite intelectual local - juntamente com o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano e Faculdade de Direito do Recife, ambos no bairro da Boa Vista. O local logo cumpriu seu papel ao se consolidar como ponto para encontro, debate e produção de escritores, poetas, cronistas e juristas, que contribuíram de forma significativa para a cultura pernambucana, a exemplo de Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto, Mauro Mota, Marcos Vilaça, entre tantos outros.

Atualmente, a APL é constituída por 40 cadeiras, ainda seguindo os moldes da Academia Francesa. O processo de escolha dos membros é democrático: a vaga é aberta com o falecimento de um dos acadêmicos e os demais escolhem um substituto. O casarão realiza eventos, palestras, lançamentos e debates, sendo composto por espaços como a Biblioteca Waldemar Lopes, o Auditório Mauro Mota, o Espaço Frei Caneca, o Salão Nobre e uma passarela-jardim.

Atualmente, a APL é constituída por 40 cadeiras, ainda seguindo os moldes da Academia Francesa. Foto: APL/Divulgação
Atualmente, a APL é constituída por 40 cadeiras, ainda seguindo os moldes da Academia Francesa. Foto: APL/Divulgação


Assim como o Recife do início do século 20, a instituição secular agora quer se modernizar e ser cada vez mais aberta a uma sociedade em constante mudança. Para isso, tem recebido escolas públicas para visitas guiadas, com conversas sobre literatura e sobre a própria academia. Também há o plano, dentro de um mês, de reorganizar o material existente dentro do casarão de forma mais didática e informativa, sempre criando links com a biblioteca e convidando os visitantes para um aprofundamento mais efetivo nas obras.

Será inaugurada, ainda neste ano, uma sala de vídeo multimídia para exibir e discutir produções cinematográficas e documentários relacionados ao universo da literatura. Com a linguagem audiovisual, pretende-se atrair um público mais variado e jovem. “Se a APL sempre foi um ponto de encontro de intelectuais, hoje queremos fazer com que a sociedade também faça parte dela, inclusive os jovens”, afirma Margarida Cantarelli, atual presidente da academia.

"Queremos promover uma maior abertura e participação para quem deseja conhecer mais sobre humanidades, podendo ter acesso a um conteúdo de excelente qualidade. O mundo mudou muito e nós temos que mudar com ele. É uma condição de sobrevivência. Para continuarmos vivos, temos de ser úteis e inseridos na nossa sociedade”, continua a professora de Direito, que atualmente está em seu segundo mandato.

Presidente quer mais visitantes na biblioteca. Foto: APl/Divulgação
Presidente quer mais visitantes na biblioteca. Foto: APl/Divulgação

PUBLICAÇÃO
Outra novidade que tenta somar com o mundo contemporâneo é o APL em Poesia & Prosa, uma publicação eletrônica dirigida pela acadêmica Lourdes Sarmento. O primeiro número será lançado nesta segunda-feira, reunindo poesias 15 membros da academia, a exemplo de Alvacir Raposo, Bartyra Soares e Luzilá Gonçalves Ferreira. 

"A ideia de fazer o projeto voltado para o mundo digital é para que possamos mostrar as produções para quem não tem acesso ao livro, um produto que continua sendo relativamente caro. Assim, as pessoas podem conhecer mais um pouco da literatura pernambucana que está sendo produzida hoje”, explica Lourdes, diretora de divulgação da academia. Ela adianta ainda que a próxima edição será lançada neste ano, com enfoque em poetas da instituição que já faleceram.

Recentemente, a APL também passou por uma renovação estrutural: a recuperação da calçada, feita pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB) dentro de um projeto da Prefeitura do Recife para alargar calçadas da cidade. O responsável pela obra foi o arquiteto Geraldo Santana.

EVENTOS ABERTOS

Roda de conversas
Sob a coordenação do acadêmico Cícero Belmar, o projeto visa promover discussões literárias com escritores de todo o estado. Em um sábado de cada mês, é debatido um tema com um escritor. Amanhã, será a vez de o poeta pernambucano Miró da Muribeca ser entrevistado em um bate-papo informal. Após o debate, haverá distribuição gratuita de livros com os participantes, dentro do conceito de reciclagem no uso das obras.

Música na APL
Concertos de música erudita são realizados sob coordenação da premiada pianista pernambucana Elyanna Caldas, em um domingo de cada mês. Na última semana, o concerto foi do violinista solo Sávio Santoro.

Reuniões ordinárias
Palestras sobre temas diversificados, realizadas 
na primeira e na última segunda-feira do mês. Excepcionalmente nesta segunda (13), a sessão servirá para o lançamento do jornal Poesia & Prosa, que contará com as pianistas Elyanna Caldas e Maria Clara Fernandes. Elas vão tocar juntas simultaneamente em dois pianos, com um repertório que traz Maurice Ravel, Astor Piazzolla, Claude Debussy e George Gershwin. 



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