Cinema Festival Internacional Brasil Stop Motion exibe 75 filmes gratuitos em Pernambuco A técnica de animação dita a programação do evento, que nesta edição homenageia o diretor russo Stanislav Sokolov

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 07/08/2018 09:31 Atualizado em:

Ao todo, serão exibidos 75 filmes, de 32 países. Foto: Festival Stop Motion/Divulgação
Ao todo, serão exibidos 75 filmes, de 32 países. Foto: Festival Stop Motion/Divulgação

Dinossauros, viagens interplanetárias, monstros de outras dimensões e tantas outras coisas que tomaram forma nas telas de cinema foram possíveis, em grande parte, pelo uso das técnicas de animação quadro a quadro, ainda nos primórdios da Sétima Arte. Mesmo em tempos de efeitos digitais, a tradicional prática segue em uso, ainda que não seja vista com regularidade nas salas de projeção. Uma oportunidade para conferir um recorte da atual leva de produções feitas com essas ferramentas é o Festival Internacional Brasil Stop Motion, realizado desta terça-feira (8) até o dia 15 no Recife, Caruaru e Triunfo.

Na capital, o evento ocupará o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, nas salas do Derby e do Museu. Já em Triunfo, no Sertão do estado, o festival será integrado à programação do Festival de Triunfo, com sessões nesta quinta-feira, enquanto Caruaru, no Agreste, recebe a mostra entre os dias 13 e 15, no Armazém da Criatividade. O acesso é gratuito.

Ao todo, serão exibidos 75 filmes, de 32 países. A programação inclui ainda oficinas técnicas e master classes de profissionais do stop motion. Mais de 200 títulos, de 48 países, se inscreveram na disputa por uma vaga na mostra competitiva deste ano. Esta edição tem como homenageado o diretor russo Stanislav Sokolov, cujo mais recente trabalho, o longa-metragem Hoffmaniada (2018), será exibido pela primeira vez na América Latina, na abertura do festival, nesta terça, às 19h30, no Cinema da Fundação do Derby (Rua Henrique Dias, 609).

Em atividade desde a década de 1970, o realizador é professor da VGIK, mais antiga universidade de cinema do mundo, que teve como alunos Andrei Tarkovsky, Kira Muratova e Serguei Eisenstein. Responsável pela Oficina de Artista de Cinema de Animação da instituição de ensino, Sokolov ministrará uma master class sobre processo criativo, na quinta-feira, às 14h, no Cinema da Fundação do Derby. Na ocasião, também será exibido um making of de Hoffmaniada. As inscrições podem ser feitas antecipadamente pelo brasilstopmotion.com.br/2018.

“A animação em stop motion possui espaço e texturas genuínas, o que a torna muito real”, define o diretor sobre a técnica. De fato, foi a partir desse recurso que surgiram alguns dos mais expressivos efeitos especiais do cinema até então, como Viagem à Lua (1902), de Georges Méliès, que utilizou uma primitiva técnica de filmagem quadro a quadro no desenvolvimento da icônica ficção científica. Outro marco do gênero foi King Kong (1933), de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, responsável por uma eficiente mescla entre efeitos e atores reais.

A trilogia original de Star Wars também chegou a utilizar stop motion em algumas passagens, como na sequência dos AT-AT Walkers em movimento no Episódio V: O Império contra-ataca (1980). Antes de optar por animatrônicos e efeitos digitais, Steven Spielberg chegou a cogitar o uso de stop motion para Jurassic Park (1993) e a técnica chegou a ser aplicada em alguns testes para o filme.

Um trabalho de talento e paciência
Hoje mais associada a títulos inteiramente de animação, como O estranho mundo de Jack (1993) ou A fuga das galinhas (2000), a técnica de stop motion geralmente demanda tempo longo de produção. O recente Ilha dos cachorros, de Wes Anderson, consumiu anos de produção e 670 profissionais envolvidos nos 130 mil frames do longa-metragem.

Hoffmaniada, de Sokolov, por exemplo, levou mais de uma década em seu desenvolvimento completo. O filme é inspirado em três contos do alemão E. T. A. Hoffmann (1776-1822): Klein Zaches, The golden pot e The Sandman. A animação é protagonizada por um personagem baseado no próprio autor, também chamado Ernest e, assim como ele, escritor, músico e jurista.

Outro longa da programação é Laika, de Aurel Klimt, da República Tcheca. A animação reimagina a história real da cachorrinha russa Laika, capturada para ser enviada ao espaço no fim dos anos 1950. Na trama, a cadela, o primeiro ser vivo a orbitar o planeta Terra, consegue colonizar um planeta distante com outros animais e tem a paz ameaçada pela chegada de um astronauta humano.

Master classes
Os diretores cubanos Aramis Acosta e Yohan Madrigal também ministrarão master classes. Eles vão apresentar um panorama sobre o cinema de 
animação do país, às 14h da sexta, na Fundação - Derby. Também serão exibidos curtas-metragens da dupla. Eles serão responsáveis ainda por uma oficina de roteiros, na quinta e sexta no Recife, e no sábado e domingo em Caruaru.

Oficinas gratuitas
Salas da Fundação e do Armazém da Criatividade receberão oficinas gratuitas. Na quinta e sexta, a animadora Duda Rodrigues apresentará, no Recife, os conceitos básicos do stop motion. De quinta a sábado, o russo Igor Khilov, criador das figuras de Hoffmaniada, comandará oficina sobre construção de bonecos. Na Escola Governador Barbosa Lima, na quinta e na sexta, haverá a oficina Animalibras.

Programação

FUNDAÇÃO - DERBY

Amanhã (8)
19h30: Hoffmaniada (70’. Stalanislav Sokolov, 2018, Rússia)
Sessão seguida de debate com o diretor, Stanislav Sokolov

Quinta-feira (9)
20h: Mostra Competitiva 1

Koyaa – Wild Sunbed (2’45”. Kolja Saksida, 2017, Eslovênia)
Tendrils (10’38”. Helen Woolston, 2017, Escócia)

Korvarium - (1’52”. Bruno Dú%u017Eek, 2016, Eslováquia)         
Toutes les poupées ne pleurent pas (20’05”. Frédérick Tremblay, 2017, Canadá).

Dan Sultan – Magnetic (3’46”. Jonathan Chong, 2016, Austrália)

Transient (7’23”. Oliver Rickli e Fabian Siegenthaler, 2016, Suíça)

Cenizas (3’54”. Luciana Digiglio, 2017, Argentina)

Ceriba dzivot - The Esperance of Will (7’56”. Rene Turtledove | 2017, Letônia)

Sparks - Edith Piaf (Said it better than me) (3’45”. Joseph Wallace, 2017, Inglaterra)

Cerulia (13’. Sofía Carrillo, 2017, México)

Slovo (5’51”. Leon Vidmar, 2016, Eslovênia)

Cucarachas (2’07”. Marc Riba e Anna Solanas, 2017, Espanha)                      

After all (13’21”. Michael Cusack, 2016, Austrália)

Sai da lama, Jacaré! (2’32”. Alexandre Juruena e Jacaré Lima, 2017, PE- Brasil)
 
FUNDAÇÃO - MUSEU

Terça-feira (14)
20h: Laika (87’. Aurel Klimt, 2017, República Tcheca)

Quarta-feira (15)
20h: Hoffmaniada (70’. Stalanislav Sokolov, 2018, Rússia)



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