Exposição Artista visual Bruno Vilela celebra 20 anos de carreira com exposição sobre o hermetismo A mostra Hermes entra em cartaz na Galeria Amparo 60, no Edifício Califórnia, em Boa Viagem

Por: Caio Ponciano

Publicado em: 26/07/2018 12:35 Atualizado em: 26/07/2018 14:06

O trabalho é o primeiro do artista a unir desenho, pintura, fotografia e estudos, e tem como pilar uma pesquisa que ele desenvolveu sobre o hermetismo. Foto: Bruno Vilela/Divulgação
O trabalho é o primeiro do artista a unir desenho, pintura, fotografia e estudos, e tem como pilar uma pesquisa que ele desenvolveu sobre o hermetismo. Foto: Bruno Vilela/Divulgação


Com duas décadas de carreira, o artista pernambucano Bruno Vilela acumula mais de 30 exposições no currículo, foi premiado por seus trabalhos nas artes visuais e no cinema, e tem quatro livros publicados. Nesta quinta-feira (26), ele completa 41 anos de idade com a abertura da exposição Hermes, que ficará disponível até o dia 15 de setembro, na Galeria Amparo 60 (Rua Artur Muniz, 82, primeiro andar do Edf. Califórnia, salas 13/14, Boa Viagem). O trabalho é o primeiro do artista a unir desenho, pintura, fotografia e estudos, e tem como pilar uma pesquisa que ele desenvolveu sobre o hermetismo.

Há quatro anos, Bruno conheceu Cid Markus, um dos principais mitólogos do Brasil e professor de mitologia em São Paulo, e ficou encantado com a biblioteca que ele possui em casa de obras sobre esoterismo, misticismo e ocultismo. “Eu perguntei ao Cid qual leitura eu deveria fazer e ele falou que eu precisava ler apenas o Caibalion (1908), o livro base do hermetismo. Mandei um e-mail para mim mesmo na época, um costume que tenho, e só depois de alguns anos que comecei a ler. Qualquer religião, seita ou grupo místico que você encontrar, tem os preceitos herméticos nesse livro”, explica Bruno. Foi partindo desses princípios, que ele criou pinturas em seu ateliê e viajou em busca de fotografias que retratassem a linha de pensamento da divindade grega.

Segundo o artista, antes de qualquer exposição ele busca fazer uma grande pesquisa, “se alimenta” de livros, de filmes e de anotações que faz em um caderno. Apesar de seus trabalhos não seguirem um único tema, Bruno revela que nas últimas obras de cada exposição sempre aparece algo novo que dá uma luz para pensar na próxima mostra. “Eu vou fazendo livres associações e a série aparece com a intenção de aprofundar o tema. Nesse caso, é o hermetismo, mas eu procuro fazer o que estou a fim de pintar, então, eu considero essa exposição uma fronteira entre o desenho, a pintura e a fotografia. Sempre tive vontade de juntar tudo isso, mas ficava algum trabalho deslocado. Nessa, eu consegui harmonizar. Procuro buscar uma imagem de interesse, que dialogue com a pesquisa que eu estou fazendo”, conta.

Para Hermes, Bruno decidiu usar uma nova técnica que vem desenvolvendo. “Eu pinto o papel de uma cor e espero secar, depois preencho completamente com carvão e faço o desenho com vários tipos de borracha. Em vez de aparecer o branco do papel, aparece a cor que eu coloquei em um efeito esfumaçado”, revela.

As obras de Hermes possuem um detalhe em comum que chama atenção de quem visita a galeria: um ponto central (ou ponto de luz), bastante usado no xintoísmo para fazer meditação, que representa o sol, o universo e a criação. Uma das sete leis herméticas é a Lei da Correspondência, que diz: “O que está em cima, é como o que está embaixo”, isso significa que a perspectiva muda de acordo com o referencial. No centro da Galeria Amparo 60, é possível encontrar essa frase no chão em um triângulo para baixo e, no teto, em um triângulo para cima, que estão exatamente centralizados e, juntos, formam a Estrela de Davi (símbolo presente em manifestações culturais e religiosas).

Galeria Amparo 60
Assim como a carreira do artista, a Galeria Amparo 60 também comemora, no próximo mês, 20 anos de existência. “Vi várias galerias fecharem as portas, mas a Amparo 60 se manteve e conseguiu agregar os artistas que me acompanham como amigos desde a faculdade. As pessoas em que eu me espelhei e começaram juntos comigo estão representadas pela Amparo”, diz Bruno, que faz parte do casting da galeria desde 2013. Para comemorar duas décadas da Amparo 60, a proprietária Lúcia Santos vai promover uma série de ações especiais, como uma exposição na Praia de Boa Viagem, marcada para o dia 22 de setembro. Além disso, está sendo programada para novembro uma mostra coletiva com o casting da galeria (formado por 35 artistas), e uma exposição homenageando Eudes Mota, por ter sido o primeiro artista a expor no espaço. A Amparo já produziu mais de 60 exposições, investiu em projetos de curadoria e apresentou artistas atuantes em Pernambuco nos principais circuitos de arte do país.

Serviço
Hermes - Bruno Vilela
Onde: Galeria Amparo 60 (Rua Artur Muniz, 82, primeiro andar do Edf. Califórnia, salas 13/14, Boa Viagem)
Abertura: 26 de julho, a partir das 19h
Visitação: De 27 de julho a 15 de setembro / Terça a sexta, das 10h às 19h, e sábados, das 11h às 17h
Informações: 3033-6060

A exposição celebra os 20 anos da carreira do artista e os 20 anos da galeria Amparo, fundada em 1998. Foto: Bruno Vilela/Divulgação
A exposição celebra os 20 anos da carreira do artista e os 20 anos da galeria Amparo, fundada em 1998. Foto: Bruno Vilela/Divulgação


As obras possuem um detalhe em comum que chama atenção de quem visita a galeria: um ponto central (ou ponto de luz), bastante usado no xintoísmo para fazer meditação, que representa o sol, o universo e a criação. Foto: Bruno Vilela/Divulgação
As obras possuem um detalhe em comum que chama atenção de quem visita a galeria: um ponto central (ou ponto de luz), bastante usado no xintoísmo para fazer meditação, que representa o sol, o universo e a criação. Foto: Bruno Vilela/Divulgação


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