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Cinema Estudantes pernambucanas querem elenco e produção de filmes com maior representatividade negra O curta-metragem Noite Fria discute violência contra a mulher e foi idealizado por estudantes de cinema da UFPE

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 16/04/2018 09:32 Atualizado em: 16/04/2018 14:34

Letícia Batista (diretora de arte), Beatriz Lins (diretora de fotografia), Mariana Souza (assistente de direção) e Priscila Nascimento (direção e roteiro). Foto: Noite Fria/Divulgação
Letícia Batista (diretora de arte), Beatriz Lins (diretora de fotografia), Mariana Souza (assistente de direção) e Priscila Nascimento (direção e roteiro). Foto: Noite Fria/Divulgação

Nenhuma mulher negra dirigiu ou roteirizou um filme no Brasil entre os anos de 2002 e 2014, de acordo com um boletim do Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ações Afirmativas da UERJ. Tamanha desigualdade de raça e gênero no audiovisual serviu de motivação para que estudantes do curso de cinema da UFPE se reunissem para produzir o curta-metragem Noite fria, com elenco e produção compostos por mulheres negras em maioria - dois homens integram a equipe.

O projeto foi contemplado pelo Edital de Artes da universidade, que concedeu R$ 5 mil às jovens. Para subsidiar o restante dos investimentos com a produção, as estudantes criaram uma vaquina online, disponível no endereço benfeitoria.com/NoiteFria. O objetivo é arrecadar mais R$ 3,5 mil e as doações podem ser feitas até o dia 25 de abril.

Noite fria acompanha a história de Marta, uma moça negra, de 25 anos, que trabalha como atendente de telemarketing e passa a acompanhar, através dos noticiários televisivos, uma série de assassinatos misteriosos. “No filme, abordamos a questão da violência contra a mulher de forma geral, mas o protagonismo é das mulheres negras. São elas que fazem o filme andar.”, explica Priscila Nascimento, diretora e roteirista do curta.

A estudante pernambucana ressalta a importância de outros filmes que se apoiam na causa negra, a exemplo de O fio - também produzido por alunos da UFPE - e o blockbuster Pantera negra, da Marvel. "Estamos criando nossa própria imagem, com nossas vozes, para sair de um ciclo em que os negros são estigmatizados e invisibilizados nas produções audiovisuais", diz.

As principais inspirações para o projeto são os filmes do L.A Rebelion, movimento norte-americano dos anos 1970 que tornou-se referência no cinema negro mundial. "Eles possuíam uma visão diferente. Um homem branco de classe média dirigindo um filme sobre uma favela é bem diferente de um favelado fazendo um longa com o mesmo tema. Uma pessoa que está contando sobre a própria vivência faz toda a diferença", conclui Priscila.



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