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Artes Cênicas Espetáculo de humor sobre o sertão usa literatura para fugir de estereótipos Espetáculo dirigido por Rogério Robalinho se preocupa em fazer rir com linguagem 'sofisticada' sem deixar de ser popular

Por: Matheus Rangel

Publicado em: 14/03/2018 11:52 Atualizado em: 15/03/2018 09:54

Espetáculo foi criado e é protagonizado por Eugênio Jerônimo e Zelito Nunes. Foto: Humor na Feira/Divulgação
Espetáculo foi criado e é protagonizado por Eugênio Jerônimo e Zelito Nunes. Foto: Humor na Feira/Divulgação

Os trejeitos, o sotaque e a vestimenta do povo sertanejo não raro são representados sob o viés caricato e risível no cinema, na TV e no teatro. Por isso, os declamadores Eugênio Jerônimo e Zelito Nunes decidiram mudar essa perspectiva e explorar esses mesmos elementos de uma maneira que classificam como “sofisticada” no espetáculo Humor na feira, com apresentações no teatro Barreto Júnior nesta sexta-feira (16) e na próxima (23), sempre às 20h. 

Montada a partir da colagem de vários textos autorais, a peça utiliza aspectos clássicos e contemporâneos da cultura do Sertão nordestino mesclados a situações cotidianas tanto da vida nas grandes cidades quanto no interior. “A nossa proposta é fugir desse humor fácil, preconceituoso e que não usa uma linguagem sofisticada, que se baseia em estereótipos e ridiculariza algumas camadas sociais. Saímos disso pra fazer o humor da raiz do Sertão nordestino baseado em tiradas interessantes e ditos inesperados”, conta Eugênio. 

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Vizinhos de estado, os artistas compartilharam das mesmas influências sertanejas durante a infância (Eugênio nasceu em Iguaracy, no Pajeú, e Zelito é de Monteiro, no Cariri paraibano) e visam como público-alvo o que chamam de “exilados do Sertão no Recife”. “Eu sou um deles e Zelito é outro. Embora tenhamos nascido em estados diferentes, pertencemos a uma mesma região cultural, que não obedece a essa dinâmica geográfica de fronteiras”, define. “Trazemos todos esses temas caros à cultura popular ao mesmo tempo em que damos uma atualizada porque não queremos fazer apenas uma reprodução”. 

Uma das preocupações dos artistas no espetáculo, dirigido por Rogério Robalinho, é “dar tratamento estético com todos os recursos que a literatura permite”. O roteiro é baseado no livro Gramática do chover no Sertão, de Eugênio, que é mestre em linguística pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e divide os atos em temas específicos: velhos, doidos, notícias que circulam a partir de bodegas, o chamado Sertão profundo e, por fim, política, sempre com muito humor. 

Com um percussionista e um violeiro no palco, a produção espera cativar o público pela memória. “A gente espera a identificação e o reconhecimento da tradição dessas pessoas que moram aqui no Recife, além das pessoas urbanas que têm gosto pelo Sertão e pelo trabalho que fazemos, sem deixar de ser popular, porém com refinamento”, conclui o declamador. Os ingressos custam R$ 50 e R$ 25 (meia) e estão disponíveis na bilheteria do teatro, no Recanto Sertanejo (Mercado da Madalena) e na Banca do Kéu (Parque da Jaqueira). 

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