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Música Menescal, Leila Pinheiro e Rodrigo Santos interpretam Cazuza em bossa nova O projeto Faz Parte do Meu Show terá turnê e gravação de CD e DVD ao vivo

Por: Alexandre de Paula

Publicado em: 07/03/2018 11:07 Atualizado em:

Cazuza completaria 60 anos em 2018. Foto: Arquivo CB/Divulgação
Cazuza completaria 60 anos em 2018. Foto: Arquivo CB/Divulgação


Um dos mais importantes compositores do rock nacional, Cazuza completaria 60 anos em abril deste ano. A bossa nova, movimento que balançou a música brasileira no fim dos anos 1950, também chega aos 60 em 2018. Os dois gêneros e vão se juntar em um projeto capitaneado por Roberto Menescal, Leila Pinheiro e Rodrigo Santos, ex-baixista do Barão Vermelho.

Faz parte do meu show é o nome da iniciativa que transformará canções, entre clássicos e lados b, de Cazuza em bossas e contará com uma turnê, que começa por São Paulo e Rio de Janeiro, em abril, e deve ser transformada em CD e DVD, segundo Menescal.

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A ideia surgiu naturalmente quando Menescal resolveu mostrar para Rodrigo como a própria Faz parte do meu show ficaria arranjada em bossa nova. "Eu tenho uma ligação boa de uns dois anos para cá com o Rodrigo, que tinha uma relação muito forte com o Cazuza. Um dia, eu mostrei para ele Faz parte do meu show e disse: 'A gente mais ligado à bossa nova, faria assim'", rememora.

Daí, Rodrigo, que achou a música completamente diferente na nova versão, pediu que Menescal fizesse o mesmo com outras canções e, então, tiveram o insight: "E se a gente começasse um projeto fazendo coisas assim?". E os dois decidiram levar a ideia adiante.

A participação de Leila Pinheiro aconteceu por acaso, lembra Menescal. Depois de assistir a um show de Rodrigo com o guitarrista Andy Summers, do The Police, elogiou o baixista e sugeriu a Menescal que os três fizessem algo juntos. "Eu respondi que eu e ele estávamos pensando nessa ideia do Cazuza em bossa e ela disse: 'Vocês estão pensando, não! Nós estamos pensando'". E estava formado o trio do projeto.

A princípio, os shows contariam com Menescal, Rodrigo e banda. Com a chegada de Leila, no entanto, eles resolveram enxugar a formação e fechar apenas no trio. "Rodrigo fica no baixo; eu, no violão e na guitarra; e Leila, no piano. Já dá para fazer uma espécie de Emerson, Lake & Palmer, uma coisa assim", brinca.

Mudanças

O trio fez uma seleção com 21 músicas para chegar a uma lista final menor. Até agora, estão garantidos clássicos como Bete balanço, Codinome beija-flor, Pro dia nascer feliz e Maior abandonado. Além de canções bem menos conhecidas, incluindo Doralinda, uma parceria de Cazuza com João Donato.

Nessa seleção, foram levados em conta dois critérios simples. O primeiro: canções que ficariam bem quando levadas para a bossa nova. O segundo: quais músicas cada um gostava mais e queria tocar no show. Feita a lista pessoal, eles decidiram juntos o que deveria ou não entrar.

Para que as canções se adequassem ao modelo da bossa nova, Menescal, Leila e Rodrigo mexeram profundamente nas harmonias e arranjos, acrescentando mais acordes e complexidade às estruturas das canções escritas por Cazuza e alguns parceiros.
 
Arranjos

A ideia é justamente deixar as músicas diferentes, sem medo de mudanças mais profundas. "Se for para fazer exatamente o que todo mundo já faz com as músicas do Cazuza, não tem razão, não faz sentido", acredita Menescal.

Ele observa também que, mesmo assim, as canções se mantêm com a cara de Cazuza. "Até porque a fonte dele mais forte é a letra, que é bem característica, às vezes, debochada e tudo". O ritmo e o suingue foram uma preocupação para os arranjos, para manter e dar vida às músicas. "A ideia é que não fique uma coisa muito morna, mesmo nas canções românticas, a gente tenta manter uma pulsação", detalha.

No início do movimento da bossa nova, um projeto do tipo, misturando o gênero a canções em teoria mais simples, seria considerado uma heresia. "A gente era muito radical. Eu me lembro de que eu gostava do Roberto Carlos, de ver o programa dele, mas não falava para a turma, não. Eu via escondido", lembra.

"Com o tempo, a gente foi abrindo um pouco. Para mim, um marco foi quando cheguei à Polygram e trabalhei com Novos Baianos, Raul Seixas, Ângela Rô Rô. Aí, minha cabeça abriu. Eu comecei a ver que existia um mundo muito maior e isso me dá a chance de hoje fazer um projeto desse".

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