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Literatura A revolta é tema de coletânea com poetas de todo o Brasil Nicolas Behr e Francisco Alvim são alguns dos escritores que estão livro de poesia

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 04/03/2018 15:00 Atualizado em: 03/03/2018 17:58

Nicolas Behr. Foto: Emília Silberstein/Divulgação
Nicolas Behr. Foto: Emília Silberstein/Divulgação


Grandes nomes da poesia clássica e contemporânea se encontram em coletânea que reúne narrativas criadas entre a poética da revolta. A percepção do tema aparece de maneira mais explícita em alguns poemas e se mistura em entrelinhas e pensamentos mais sutis em outros. Desigualdade social, machismo, racismo e diferentes modalidades de opressão e intolerância entram em cena por meio da criação bem trabalhada pelos poetas. O ritmo das palavras pode ditar a movimentada reflexão e as questões se misturam entre a forte atualidade e a atemporalidade constante. O lugar escolhido para o lançamento foi o Beirut, tradicional ponto de encontro de poetas em Brasília.

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Nicolas Behr e Francisco Alvim, dois nomes de destaque da poesia brasileira, têm seus poemas representados na coletânea. Para Nicolas, a questão da revolta é uma das mais atemporais, pois acontece em todos os tempos. "Além disso, a insatisfação é algo muito presente na poesia, faz parte do processo criativo. No livro, se misturam poemas de revolta mais direta, aparente e outros mais subjetivos", destaca o poeta. O autor conta que, para a antologia, escolheram uma poesia que fez aos 20 anos. Desde então, muita coisa mudou, mas Nicolas acredita que ainda escreveria a mesma narrativa. O seu poema é um dos exemplos que traz a ideia da revolta de maneira mais dissimulada, pronta a ser descoberta e reinventada por cada leitor. Para ele, a força da poesia está, principalmente, na densidade maior que se condensa em poucas palavras.

A coletânea
A editora da obra, responsável por escolher e reunir os poemas que se cruzam, é Alice Sant’Anna. Eça destaca que o tema da revolta é atemporal, mas é interessante notar como esse sentimento pode tomar muitas formas e ter alvos tão diferentes. "Pode ser uma revolta agressiva, violenta, uma revolta introspectiva, apática, sem esperança. E o que causa indignação também muda muito de poema para poema: alguns falam em desigualdade social, racismo, machismo, entre tantos outros assuntos nem sempre explícitos", afirma.

Para Alice, a poesia é uma arma muito poderosa de transformação e de mobilização. É uma maneira sintética, concentrada, de fazer pensar sobre assuntos muitas vezes banais, gastos, sobre temas que não parecem, à primeira vista, poéticos. "Como se a revolta não fosse material para a poesia. A poesia continua atual, ela é muito forte, é uma linguagem de grande condensação e esse fator tem uma potência verbal muito grande. Ela resiste ao tempo".

A editora ressalta a importância cultural dos dois grandes poetas que representam Brasília na coletânea. Ela lembra que Nicolas Behr é um dos poetas mais produtivos em atividade hoje, com uma trajetória impressionante, que vai da geração marginal até hoje. E ele elegeu Brasília como uma espécie de musa inspiradora. Enquanto isso, Chico Alvim é um dos principais poetas vivos. "Sua poesia tem uma marca da oralidade muito forte, com o ouvido sempre atento para as conversas dos outros, uma verdadeira antena. Sua obra, assim como do Nicolas, é brilhante, questionadora e combativa", destaca.

SERVIÇO
50 poemas de revolta
Autor: Vários 
Editora: Companhia das Letras 
Páginas: 144
Quanto: R$ 34,90 
Ano: 2017

Autofonia
Autor: Alexandre Pilati
Editora: Penalux
Páginas: 86
Preço: R$ 30
Ano: 2018

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