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Cinema 'Comédia é única coisa que nos faz sobreviver', diz diretor de Pequena Grande Vida Em entrevista, Alexander Payne revela que levou 11 anos para realizar o filme que está em cartaz nos cinemas

Por: Agência Estado

Publicado em: 01/03/2018 19:14 Atualizado em: 01/03/2018 18:44

'É preciso dar risada', diz Alexander Payne. Foto: Sakis Mitrolidis/AFP
'É preciso dar risada', diz Alexander Payne. Foto: Sakis Mitrolidis/AFP

Pequena grande vida era o projeto dos sonhos de Alexander Payne, que levou 11 anos para realizá-lo. Nessa sátira social, Matt Damon é Paul Safranek, terapeuta ocupacional que deixou de lado muitos planos ao longo da vida. Sua mulher, Audrey (Kristen Wiig), deseja uma casa maior, que eles não podem comprar. A resposta aparece no encolhimento. É uma solução ecológica, diz a empresa responsável, pois uma pessoa pequena necessita de menos recursos, e financeiramente interessante.

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Mas Paul logo vai perceber que esse mundo em miniatura tem suas desigualdades, como demonstra a vietnamita Ngoc Lan Tran (Hong Chau). Payne, que escreveu o roteiro com seu parceiro habitual, Jim Taylor, já veio ao Brasil diversas vezes. Foi consultor de roteiro em Cidade de Deus - que ele adorou, mas não reviu depois do Festival de Cannes de 2002. Nesta entrevista, o cineasta se defende das críticas a Pequena grande vida, em cartaz nos cinemas, e nega ter criado personagens estereotipados.

Hoje em dia, os filmes são dominados por heróis e anti-heróis E aqui temos um cara legal e normal. Por que ele era interessante para você?
Porque ele sou eu. E é Jim, meu corroteirista. É só uma pessoa tentando fazer a coisa certa e se sentindo completamente confusa sobre como conseguir. De certa forma, é uma falha do roteiro que ele não tenha uma pulsão maior, ou ao menos mais evidente. É um filme discreto. Grande, mas discreto em relação a seu protagonista. É o tipo de protagonista em que Jim e eu nos enxergamos. Todos os nossos protagonistas são assim.

Hoje em dia, é mais difícil navegar o mundo?
Sim. É coisa demais. E, no momento, vivendo neste país (EUA), com esse imbecil na Casa Branca, cada dia tem uma coisa maluca acontecendo. Sempre fica pior. Tem a Coreia do Norte, o Irã. Eles ficam brincando como crianças, só que os brinquedos são armas nucleares.

Muitos acharam que Ngoc Lan Tran, a vietnamita interpretada por Hong Chau, é um estereótipo. Como você recebeu as críticas?
Machucou por um minuto. Tem gente que procura por estereótipos, enquanto este filme foi feito com amor e ternura. Quer dizer que Jim e eu como roteiristas, a equipe toda, Hong Chau, que é do Vietnã, todos estávamos completamente cegos? Os filmes que dirigi têm exageros cômicos. Há comédia no que ela é. Mas Ngoc é um estereótipo porque tem sotaque? Muita gente tem sotaque. Como deve falar uma pessoa que não foi à escola nos EUA? Fiquei triste, mas não me fez duvidar das minhas escolhas.

Como você vê a comédia atualmente?
É a única coisa que nos faz sobreviver ao que está ocorrendo: John Oliver, Stephen Colbert. Porque tudo é tão ridículo, mas não é novidade. Oscar Wilde dizia que você tinha de contar a verdade e fazer o público rir ao mesmo tempo, senão ele o mata.

Você estudou literatura latino-americana. Isso influencia seu trabalho?
Gosto das histórias. Muitas vezes, isso falta na literatura norte-americana, que tende a ser confessional, reclamona, local. Meu filme de conclusão na universidade foi baseado em O túnel, de Ernesto Sabato. Tenho ideia de adaptar um conto de Julio Cortázar. Acho que Os sertões daria um grande filme. Sei que foi feito, mas não da forma como deveria, acredito. Não sei se alguém tem coragem de fazer como deveria.

Pequena grande vida demorou para ser feito. Como foi esperar esse tempo todo?
Todo cineasta tem de esperar por isso. Sempre falo para estudantes de cinema: vocês têm de ficar amigos do desespero, pois sempre será assim. Fiz um filme na universidade que foi um sucesso, recebi ofertas, mas queria fazer o meu. Levou cinco anos. As confissões de Schmidt levou 11 anos. Este levou 11 anos. Mas, agora que estou chegando ao final dele, penso: chega de projetos de sonho! Nunca se sabe o que vai satisfazer o público. Posso passar 11 anos trabalhando num filme e talvez não seja tão bom quanto o que fiz em nove meses. Talvez as pessoas achem Nebraska mais satisfatório do que Pequena grande vida. Quem se importa? É preciso dar risada.

Confira o trailer de Pequena grande vida



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