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Artes visuais Artista Durval Pereira ganha mostra idealizada por colecionador pernambucano A exposição visa tirar o nome do artista paulista do esquecimento ao qual ele foi relegado desde sua morte, em 1984

Por: Isabelle Barros

Publicado em: 28/02/2018 16:20 Atualizado em:

Durval Pereira foi um artista reconhecido enquanto viveu, mas sua obra foi progressivamente esquecida após a morte. Crédito: Aponte Comunicação/Divulgação
Durval Pereira foi um artista reconhecido enquanto viveu, mas sua obra foi progressivamente esquecida após a morte. Crédito: Aponte Comunicação/Divulgação

Pereira pode parece obscuro. O pintor paulistano, nascido em 1918, foi uma figura singular enquanto viveu: impressionista quando todos queriam ser modernistas; livre para negociar seu próprio trabalho enquanto as galerias de arte ganhavam cada vez mais força. Sua disposição em ir contra a corrente, no entanto, voltou-se contra ele. Muito conhecido em vida, teve sua trajetória progressivamente apagada desde 1984, quando faleceu de ataque cardíaco. Seu trabalho vai ser posto novamente em pauta com a exposição Sesi Durval Pereira - impressões brasileiras/100 anos, cuja abertura será realizada hoje, no Centro Cultural Correios. Depois do Recife, a mostra vai seguir para Ouro Preto, São Paulo e Brasília.

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Durval (1918-1984) era um artista prolífico e competitivo. Tinha fama de acabar suas obras muito rapidamente e dizia não ter público, e sim fregueses. Agradava os compradores com seu talento para fazer paisagens marinhas, naturezas-mortas, casarios, cenas do campo e enveredou pelo abstracionismo bem no fim da carreira. Nascido em São Paulo, o artista foi amigo de artistas, de famosos e percorreu o interior do Sudeste e Centro-Oeste atrás de paisagens propícias para exercitar seu ofício.

A mostra ressalta o apelo popular de sua obra e alia a exibição de 180 telas a dispositivos interativos, cujo intuito é aproximar o legado de Durval de um público mais amplo. “São quadros que o povo gosta de ver. Isso nos guiou. E não adiantava trazer só as obras de volta, mas a vida inteira dele precisava ser recontada”, pontua o curador da exposição, Lut Cerqueira.

Marinha 3, óleo sobre tela datado de 1970. Crédito: Aponte Comunicação/Divulgação
Marinha 3, óleo sobre tela datado de 1970. Crédito: Aponte Comunicação/Divulgação

A concepção da mostra tem uma história curiosa. O maior colecionador da obra de Durval Pereira é o advogado pernambucano Hebron Oliveira, coidealizador do Instituto Origami, voltado para projetos culturais. Sua coleção tem 254 telas e dessas, 180 estão na mostra. “Desde pequeno, via um quadro na casa do meu pai - era de Durval - e ficava me perguntando como o artista pintou isso. Ele parece estar em terceira dimensão. Em 2012, fui a Campos do Jordão e vi outro quadro do artista em um antiquário. Não pude comprá-lo na ocasião, mas logo depois entrei em sites de leilão, fiz três lances e comprei minhas três primeiras telas dele. Assim tudo começou”.

O curador e o colecionador procuraram um dos netos de Durval, Eduardo Pereira, para explicar mais sobre a ação. “Desde meus 16 anos, sempre quis trazer a memória de meu avô de volta. Ele era extremamente desorganizado e muita coisa foi perdida ou roubada desde que ele morreu. Minha família ficou abalada com sua morte e também não queria lidar com o acervo. Quando Hebron me procurou, fiquei com um pé atrás. Só acreditei de fato nele quando visitei sua casa e vi a quantidade de quadros que ele tinha”.

SERVIÇO

Exposição Sesi Durval Pereira - impressões brasileiras/100 anos
Abertura: Hoje, às 19h
Visitação: Segunda a sexta, das 10h às 17h; sábados e domingos, das 12h às 18h
Onde: Centro Cultural Correios - Avenida Marquês de Olinda, 262, Bairro do Recife
Entrada gratuita
Informações: 3224-5739

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