• Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google Plus Enviar por whatsapp Enviar por e-mail Mais
Televisão Globo rebate críticas do Conselho de Psicologia: 'Sem compromisso com a realidade' Órgão afirmou que novela O Outro Lado do Paraíso prestava 'desserviço' às vítimas de abusos sexuais

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 07/02/2018 09:46 Atualizado em: 07/02/2018 14:33

Na trama, Laura (Bella Piero) foi abusada sexualmente pelo padrasto Vinicius (Flavio Tolezani) durante a infância. Foto: Globo/Divulgação
Na trama, Laura (Bella Piero) foi abusada sexualmente pelo padrasto Vinicius (Flavio Tolezani) durante a infância. Foto: Globo/Divulgação

A Globo defendeu o caráter ficcional e "sem compromisso com a realidade" de O outro lado do paraíso ao se posicionar sobre a nota divulgada pelo Conselho Federal de Psicologia a respeito da novela, na qual afirma se tratar de um "desserviço" à sociedade brasileira e, especialmente, às vítimas de abusos sexuais. Em comunicado, a emissora destacou que trata com seriedade assuntos delicados e até prometeu estimular a denúncia contra violações aos direitos humanos. 

Quer receber notícias sobre cultura via WhatsApp? Mande uma mensagem com seu nome para (81) 99113-8273 e se cadastre 

"As novelas são obras de ficção, sem compromisso algum com a realidade. A Globo reconhece a importância de todos os seus programas para discussões e reflexões sobre assuntos de interesse da sociedade e está atenta à responsabilidade que lhe é atribuída sobre todos os temas abordados", diz a empresa, em comunicado. No texto, o conselho critica a abordagem dada ao caso de Laura (Bella Piero), abusada sexualmente pelo padrasto Vinicius (Flavio Tolezani) durante a infância. 

Na trama, a jovem busca tratamento com um coach (espécie de orientador), que realiza sessões de hipnose para ajudar a lidar com as memórias traumáticas. "O Conselho Federal de Psicologia (CFP) entende que a telenovela O outro lado do paraíso, por se tratar de uma obra capaz de formar opinião, presta um desserviço à população brasileira ao tratar com simplismo e interesses mercadológicos um tema tão grave como o sofrimento psíquico de personagem cuja origem é o abuso sexual sofrido na infância", argumenta a nota. 

A Globo rebate a afirmação dizendo que "o que a novela O outro lado do paraíso quer mostrar com o desenvolvimento da trama da personagem Laura é o processo pelo qual passa uma pessoa que precisa de ajuda, recorrendo a diferentes e variadas formas de apoio e terapias, das mais às menos ortodoxas". O canal afirma que, ao final de alguns capítulos, exibirá a cartela de divulgação do Ligue 100, número no qual violações aos direitos humanos podem ser denunciadas. 

Veja a íntegra da nota da Globo:

"As novelas são obras de ficção, sem compromisso algum com a realidade. A Globo reconhece a importância de todos os seus programas para discussões e reflexões sobre assuntos de interesse da sociedade e está atenta à responsabilidade que lhe é atribuída sobre todos os temas abordados. O que a novela O outro lado do paraíso quer mostrar com o desenvolvimento da trama da personagem Laura é o processo pelo qual passa uma pessoa que precisa de ajuda, recorrendo a diferentes e variadas formas de apoio e terapias, das mais às menos ortodoxas.

É importante reiterar, ainda, a seriedade com que a novela O outro lado do paraíso tem abordado, desde a estreia, questões relacionadas a diferentes tipos de abuso e preconceito. Corroborando o compromisso da Globo com a sociedade, está prevista a exibição, ao final de alguns capítulos, de cartela de divulgação do Ligue 100, número oficial para denúncias de violação de direitos humanos."

Leia o texto do Conselho Federal de Psicologia: 

"Mesmo compreendendo o caráter de uma obra de ficção, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) entende que a telenovela O outro lado do paraíso, por se tratar de uma obra capaz de formar opinião, presta um desserviço à população brasileira ao tratar com simplismo e interesses mercadológicos um tema tão grave como o sofrimento psíquico de personagem cuja origem é o abuso sexual sofrido na infância.

Quanto ao argumento de que se trata 'apenas' de ficção, lembramos que são as novelas da Rede Globo que, como estratégia de elevar a audiência, frequentemente buscam embaralhar as barreiras do ficcional e do real, entre outras formas, introduzindo nas tramas fatos e temas candentes da sociedade.

É consenso no Brasil de que pessoas com sofrimento mental, emocional e existencial intenso devem procurar atendimento psicológico com profissionais da Psicologia, pois são os que tem a habilitação adequada. Isso é amplamente reconhecido por diversas políticas públicas, entre elas o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que empregam essas profissionais em larga escala. Mesmo na saúde suplementar, o exercício do cuidado psicológico é reconhecido e regulamentado. Há normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que obrigam os planos de saúde a oferecerem atendimento por profissionais da Psicologia.

Somos uma profissão regulamentada pela Lei 4.119, de 27 de agosto de 1962, os cursos de Psicologia são aprovados e fiscalizados pelo Ministério da Educação e o Ministério da Saúde reconhece a Psicologia como uma profissão da saúde. As mais prestigiadas universidades públicas e privadas oferecem formação em Psicologia e nossa ciência e profissão passam rotineiramente pelo escrutínio das pesquisas acadêmicas. Tudo isso confere segurança à sociedade de que se trata de uma ciência e profissão respaldadas ética e tecnicamente.

Saudamos como positiva a manifestação de diversos grupos e escolas de coaching, que, manifestando-se sobre o ocorrido, afirmaram compreender que os transtornos mentais devem ser cuidados por profissionais da saúde mental.

O CFP faz um alerta à sociedade para que não se deixe iludir. As pessoas devem buscar terapias adequadas conduzidas por profissionais habilitadas para os cuidados com a saúde, particularmente a saúde mental."

Acompanhe o Viver no Facebook: 




Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.



Últimas