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Música Carnaval 2018: Nações de maracatu ensaiam para apresentação no Marco Zero. Confira o roteiro Tradicional encontro dos grupos percussivos deste ano foi deslocado para a quinta-feira, véspera da abertura da folia na cidade

Por: Alef Pontes

Publicado em: 31/01/2018 18:21 Atualizado em: 31/01/2018 20:06

Mestres batuqueiros manterão a celebraçã sob o comando de Mestre Chacon e de Paz Brandão. Foto: Hesíodo Góes/Esp. DP
Mestres batuqueiros manterão a celebraçã sob o comando de Mestre Chacon e de Paz Brandão. Foto: Hesíodo Góes/Esp. DP

Depois da polêmica mudança na estruturação da abertura do carnaval do Recife deste ano, que deslocou o tradicional encontro dos maracatus de baque virado para a quinta-feira, as nações se preparam com afinco para o cortejo. O público, por sua vez, tem as últimas oportunidades para conhecer os baques individuais de cada grupo em seus locais de origem antes dos dias de folia. Após 15 anos sob o comando do percussionista Naná Vasconcelos, o encontro se tornou sinônimo da largada para os dias de festejo ao som de alfaias, caixas de guerra, ganzás, agbês, agogôs e loas sagradas, e se viu alvo de discussões ao ser substituído, na sexta-feira de abertura, por espetáculos embalados ao som de frevo. Em decisão conjunta com a gestão municipal, os mestres batuqueiros manterão a celebração, este ano sob o comando de Paz Brandão.

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A organização também tem contado com a colaboração do músico pernambucano Guitinho da Xambá, que acerta os últimos preparativos e garante: "Vai ser um momento muito especial de protagonismo dos maracatus". Segundo ele, os mais de dez ensaios já realizados - entre individuais, nas sedes de cada nação, e coletivos, na Rua da Moeda - se consolidam como um momento de fortalecimento entre os representantes das nações e os maracatuzeiros do baque virado.

"É a compreensão de que Naná Vasconcelos iniciou esse processo de distensão que existia entre as nações e a criação desse sentimento de uma nação única de maracatus pernambucanos", conta o artista, integrante do grupo Bongar, que neste ano integra o encontro.

Intitulado Tumaraca - em homenagem à icônica loa criada por Naná Vasconcelos, "Tu maraca, tu maracatu", que se tornou grito de guerra da união entre as nações - repetirá o feito de reunir centenas de batuqueiros, de 13 nações distintas, a entoar um só baque. No repertório deste ano, além de músicas de diversos artistas negros, foram acrescentadas duas canções conhecidas de Guitinho que carregam a força da representatividade do brinquedo de matriz africana (Malunguinho e Ogum), além da inédita Não há carnaval sem a nossa cor.

A música, criada especificamente para este momento, entrega em seus versos o tom resistência da cultura pernambucana necessário para o momento: "Juntos, uma só Nação/ Nosso baque é trovão/ Ancestral e amor/ Tentam, mas não há quem aguenta/ Viver um carnaval sem a nossa cor/ Somos Negros/ Bate forte no teu coração".

A celebração histórica também contará com a presença do rapper Zé Brown e da cantora Isaar, além do coro do grupo Voz Nagô. O repertório também inclui frevos. "Isso contribui para se ter essa compreensão de que o frevo também é negro. E fazer com que as pessoas tenham essa percepção de que não existe separação entre essas manifestações", argumenta o artista.
 
Preservação
Guitinho garante que o encontro de nações vai além do espetáculo visual e sonoro: "É a preservação de um marco criado por Naná e por muitos ativistas da cultura negra e que hoje compete não só às nações, mas a todas as pessoas que estão ligadas à cultura de matriz africana, como os terreiros e os afoxés. Essa solenidade tem que ser preservada", atesta.

Para o músico, a manutenção do encontro depende, ainda mais agora, da unidade entre as nações. "Precisamos ter a concepção de que esse valor cultural é uma ferramenta para fazer que o poder público entenda que não é um favor garantir esse momento", defende. "O maracatu é maior do que os artistas. E a cultura é maior do que qualquer governo. Isso é o que faz com  que se preserve: o governo passa, os artistas passam e deixam o seu legado. Mas o maracatu é maior do que todo mundo", complementa. "Fico super feliz de estar compondo esse momento pós-Naná, mas com a compreensão de que diante da história secular, eu sou muito pequeno".
 
Prévias
Antes do encontro oficial das nações de maracatu, o público terá a oportunidade de conferir ainda outros dois ensaios individuais nas sedes do Maracatu Nação Tupinambá, às 18h de hoje, e do Maracatu Nação Almirante do Forte, no mesmo horário, amanhã. No dia seguinte, a Rua da Moeda, no Bairro do Recife, recebe estas duas nações e a Aurora Africana para o último ensaio em bloco, também às 18h. O último acerto de baques, desta vez com todas as 13 nações participantes, ocorrerá na terça-feira, 6 de fevereiro, no Marco Zero, dois dias antes da celebração oficial da cultura negra no maior polo carnavalesco do Recife.
 
QUARTA-FEIRA
18h - Ensaio do Maracatu Nação Tupinambá. Rua Araripe Junior, 39, Córrego do Jenipapo

QUINTA-FEIRA

18h - Ensaio do Maracatu Nação Almirante do Forte. Estrada do Bongi, 1319, Bongi

SEXTA-FEIRA
18h - Ensaio coletivo das nações Aurora Africana, Tupinambá e Almirante do Forte. Rua da Moeda, Bairro do Recife

TERÇA-FEIRA (6)
18h - Ensaio geral com as 13 nações. Marco Zero (Avenida Alfredo Lisboa, s/n, Bairro do Recife)

QUINTA-FEIRA (8)
15h - Tumaraca: Encontro das Nações. Concentração na Rua da Moeda, com cortejo pela Avenida Rio Branco em direção ao Marco Zero
 
Baque solto
Fora da Região Metropolitana do Recife, outra manifestação cultural genuinamente pernambucana, o Maracatu de Baque Solto ou Maracatu Rural - que une os elementos de matriz africana com as influências indígenas e acento da cultura agrária do corte da cana - também toma conta das ruas no último fim de semana antes do carnaval. Com seu colorido, evidenciado nas roupas dos caboclos e da corte, e a batida acelerada do terno, o brinquedo de poesia afiada e samba ligeiro faz a festa dos folgazões na Zona da Mata Norte do estado.
 
SÁBADO
22h - Ensaio Geral do Maracatu Leão Misterioso. Com o Mestre Davi Coutinho. Tracunhaém
22h - Ensaio Geral do Maracatu Pavão Dourado. Com o Mestre Zé Joaquim . Tracunhaém
22h – Ensaio Geral do Maracatu Estrela de Ouro. Com o Mestre Ino Águiar. Aliança (Sitio Chã de Camará)
22h - Ensaio Geral do Maracatu Leão Vencedor. Com o Mestre Luciano. Chã de Alegria
22h - Ensaio Geral do Maracatu Leão das Cordilheiras.

Lagoa de Itaenga

DOMINGO
15h - Ensaio do Maracatu Leão Vencedor de Carpina. Com o Mestre Heleno Fragoso. Carpina (Bairro Santo Antônio)

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