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Morte Morre Coco Schumann, músico sobrevivente dos campos nazistas Um dos primeiros a introduzir a guitarra elétrica na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, ele morreu aos 93 anos

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 29/01/2018 15:21 Atualizado em: 29/01/2018 17:44

Coco Schumann, em 1997. Foto: Florian Frank/AFP
Coco Schumann, em 1997. Foto: Florian Frank/AFP


Sobrevivente dos campos nazistas, antes de fazer uma carreira como guitarrista de jazz, o músico alemão Coco Schumann morreu aos 93 anos. ''Heinz Jakob Schumann faleceu em Berlim, no domingo, após uma vida digna de romance'', anunciou nesta segunda-feira (29) sua gravadora, Trikont. Ele se distinguiu musicalmente por ter sido um dos primeiros a introduzir a guitarra elétrica na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, bem como por uma infinidade de concertos com seu Quarteto Coco Schumann.

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Mas foi especialmente por seu percurso e história pessoal dramática que ficou conhecido em seu país e no exterior. Filho de um alemão cristão convertido ao judaísmo e uma mãe alemã judia, foi preso em 1943 e enviado ao campo de concentração de Théresienstadt, nos Sudetes, anexado pelo Terceiro Reich, para tocar para os SS. Seu grupo recebeu o nome de Ghetto Swingers.

Em setembro de 1944, foi internado no campo de extermínio de Auschwitz. Com outros músicos, era obrigado a tocar quando os novos deportados chegavam, para os kapos ou quando os prisioneiros deixavam o campo de trabalho. "Quando eu tocava, esquecia tudo. Esquecia a estrela amarela costurada no meu peito, as paredes do gueto, a fome", disse ele ao jornal francês Le monde há uma década.

Libertado pelas tropas norte-americanas, sobrevivente de uma grave doença, primeiro decidiu ficar na Alemanha, onde começou sua carreira como músico de jazz e swing. Em 1950, exilou-se com sua família na Austrália, mas, por falta de sucesso, retornou quatro anos depois. Durante muito tempo, pouco falou sobre a deportação. "De qualquer forma, ninguém entenderia. Estava um pouco envergonhado de ter sobrevivido e queria ser reconhecido como músico, não como um sobrevivente de Auschwitz", disse ele ao Le monde.

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