Atraso Atraso nas obras da ciclovia de Olinda frustram moradores Devido ao estado da área e à invasão de carros e barracos, ciclistas usam pista de cooper e calçadas

Publicado em: 18/04/2014 08:44 Atualizado em: 18/04/2014 09:03

Ciclovia descontínua e com as marcações diferentes faz quem gosta de pedalar ficar sem orientação
Foto: Jo Calazans/Esp. DP/D.A Press
Ciclovia descontínua e com as marcações diferentes faz quem gosta de pedalar ficar sem orientação Foto: Jo Calazans/Esp. DP/D.A Press

Há três anos em execução, as obras de requalificação da orla de Olinda estão causando frustração nos moradores do município. A ciclovia, descontínua e demarcada de maneiras diferentes, desafia a compreensão dos ciclistas e ainda não ganhou adesão. A maioria prefere usar a pista de cooper e calçadas, danificando os recém-construídos espaços dos pedestres. Em detrimento, a rota ciclável deixou de ser das bicicletas e passou a ser extensão das lixeiras, parada de ambulantes e até ponto de bate-papo dos amigos de praia.

As obras na orla olindense começaram em 2011 e passaram por uma paralisação de nove meses, sendo retomadas em março de 2012. Estão sendo investidos R$ 19,9 milhões, dos quais R$ 760 mil são da prefeitura e o restante verba do Ministério do Turismo. O projeto inicial da ciclovia passou por mudanças de cor e tipos de segregação. O modelo atual utiliza uma parte do asfalto, em que é dividida por blocos de concreto amarelos, e parte do calçadão, onde é pintada de vermelho e separada por tachões para se diferenciar da pista de cooper.

A orla terá 6,25 km de ciclovia bidirecional, com 2,20 metros de largura, quando conclusa. Até então, foram 4 km implantados, entre os bairros de Casa Caiada e Bairro Novo. Não suficientes para pessoas como o profissional de serviços gerais Alexandre Calixto, 51 anos, passarem a usar o equipamento. “Sabemos que é errado andar no calçadão, mas os carros ultrapassam a delimitação e colocam as rodas na ciclovia. Ficamos sem espaço e ninguém fiscaliza”, reclamou.

Durante as entrevistas, a equipe do Diario de Pernambuco identificou pelo menos três veículos burlando regras. Um deles, inclusive, estacionado em cima de um trecho de ciclovia que ainda não foi segregado. “Todo dia venho, e esse carro está sempre aqui. Da Praça do Carmo até Casa Caiada, desci várias vezes da bike para conseguir passar”, afirmou o aposentado Marcos Barbosa, 65.

 

Obras prontas no mês de junho

A conclusão das obras de requalificação da orla de Olinda está prevista para junho deste ano. Segundo a prefeitura da cidade, alguns trechos da ciclovia ainda permanecem em obras, principalmente o do bairro de Rio Doce. Até a entrega do projeto, o órgão prometeu fazer um trabalho de conscientização com pedestres, ciclistas e motoristas, para educação de trânsito e preservação dos novos equipamentos.

Além da ciclovia, a requalificação compreende 10 novos quiosques, dos quais cinco estão prontos, e vagas de estacionamento. São 700, sendo 500 na orla, executadas a uma inclinação de 20 graus, “para caber os carros grandes e injustificar a invasão na ciclofaixa e o uso da pista de cooper pelas bikes”, detalhou o coordenador da obra, Antônio Teixeira. “A fiscalização será da Secretaria de Trânsito. Quem descumprir será multado”, acrescentou. Os banheiros, que permanecem fechados, ficarão sob responsabilidade dos permissionários dos quiosques.

Procurada, a Polícia Militar afirmou que o 1º Batalhão disponibiliza três viaturas da Patrulha do Bairro para a área entre Bairro Novo e Casa Caiada, responsáveis por realizar rondas ostensivas. Já a prefeitura garantiu que 90% da iluminação já foi trocada e, até junho, estará totalmente nova.

Faltam também polícia e iluminação


Não é apenas a ciclovia que deixa os frequentadores da orla de Olinda angustiados. A ausência de policiamento e a baixa iluminação deixam um constante clima de insegurança no ar e fazem muita gente desistir de ir ao local. Percorrendo a orla desde a Praça do Carmo até as proximidades do antigo quartel, em Casa Caiada, a reportagem não identificou a presença de nenhum policial, na manhã da última quarta-feira. A mesma observação fez o design espanhol Patrick Mustafá, 59 anos. Depois de passar por Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza, ele chegou a Pernambuco para ficar até a Copa e já se diz decepcionado.

“Estamos perto de um evento de grande porte e isso não pode acontecer. Quando o turista não vem, os governantes reclamam. Mas se eu for assaltado aqui, precisarei agir sozinho para me defender”, reclamou. O gráfico Robério Henrique Coutinho, 44, já passou por situações de perigo enquanto andava de bicicleta. “A iluminação não é boa, o que favorece. Recentemente, roubaram o celular e o skate do meu sobrinho”, conta.



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