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Vida Urbana Nove mil bikes em 14 horas Levantamento realizado pela Ameciclo em três cruzamentos do Recife revelou o quanto o meio de transporte já é usado na capital

Publicado em: 29/05/2013 09:04 Atualizado em: 29/05/2013 09:37

Rua Amélia com Avenida Rui Barbosa, no bairro das Graças: 1.431 ciclistas no período analisado. Crédito: Arthur de Souza/Esp DP/DA Press
Rua Amélia com Avenida Rui Barbosa, no bairro das Graças: 1.431 ciclistas no período analisado. Crédito: Arthur de Souza/Esp DP/DA Press
À margem das ruas, estradas, avenidas e das estatísticas, os ciclistas ficam “espremidos” nos levantamentos que apontam os crescentes índices de emplacamento de automóveis. Enquanto o debate sobre a necessidade de implementação de políticas públicas cicloviárias cresce, o público a quem se destinam essas medidas ainda é um universo de suposições. Tentando minimizar esse “vazio”, a Associação Metropolitana dos Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo) realizou a primeira contagem de usuários do Recife. Durante 14 horas de um dia, o monitoramento de três cruzamentos das zonas Norte e Oeste, mostrou-se tão impactante quanto o de qualquer dado relacionado a carros: foram nove mil ciclistas nas ruas.

Homens, principais usuários, e mulheres. A maioria das vezes, sozinhos, mas também oferecendo “carona”. Grande parte sem equipamento de segurança. Pessoas que estão no centro do furacão da discussão sobre mobilidade. “A bicicleta sempre foi meu transporte. Pedalo 15km por dia”, contou o zelador Rinaldo Ferreira, 36 anos, que tem como destino final diário o cruzamento da Avenida Rui Barbosa com a Rua Amélia (Graças). Esse foi um dos três pontos analisados, no dia 25 de abril, junto com os cruzamentos da Avenida do Forte e da Rua Doutor Miguel Vieira Ferreira (Cordeiro) e das avenidas Beberibe e Professor José dos Anjos (Arruda).

No primeiro trecho, que faz binário com a Avenida Rosa e Silva – por onde passam diariamente 33 mil veículos -, trafegaram 1.431 ciclistas. A rota do Cordeiro, onde passaram 3.556 ciclistas, fica próxima às avenidas Abdias de Carvalho e Caxangá, por onde circulam diariamente 58,5 mil e 54 mil veículos. “Os picos de fluxo foram justamente os horários de ida e retorno ao trabalho/escola”, ressaltou um dos coordenadores da Ameciclo Guilherme Jordão.

O maior número de ciclistas (3.723) foi registrado no cruzamento das avenidas Beberibe/Professor José dos Anjos. Ponto de partida do professor Rodrigo Silva, 24. “É melhor para a saúde e para o trânsito”. No Rio de Janeiro, segundo os pesquisadores, estudo semelhante já é realizado há 20 anos, com apoio do estado. A ideia da Ameciclo é usar o documento para subsidiar o Plano Diretor Cicloviário, a ser entregue em novembro pela Secretaria das Cidades de Pernambuco.

Clique para ampliar e conferir os principais dados da pesquisa
Clique para ampliar e conferir os dados da pesquisa. (Clique para ampliar)
Clique para ampliar e conferir os dados da pesquisa.


Falta estrutura nas vias e nos prédios

Transformar a diversão do domingo em transporte diário ainda é um desafio nas ruas do Recife. Apesar do visível crescimento no número de ciclistas nas vias da cidade e do intenso debate, a pesquisa realizada pela Ameciclo e pela Holon e Valença Associados mostrou que 90% dos usuários da Ciclofaixa de Turismo e Lazer ainda não estão dispostos a realizar o percurso de casa ao trabalho de bike. Em uma capital onde o número de estruturas cicloviárias é de 28,8km e a maioria dos prédios públicos e privados ainda carece de vestiários e bicicletários, como o Recife, o principal impeditivo apontado como determinante nessa escolha é a falta de estrutura.

Esse foi o argumento usado por 22% dos entrevistados que não usam a bicicleta como transporte diário, deixando para trás inclusive a ausência de segurança, justificada por 16,36% dos entrevistados. Os 105 óbitos de ciclistas registrados entre 2011 e 2012 em Pernambuco e os 516 acidentes envolvendo esse público também foram lembrados pela população.

Para quem discorda desses argumentos, o principal motivo é a economia de tempo e de dinheiro. No caso do médico Arnaldo Marques Neto, 53 anos, as horas desperdiçadas no trânsito foram determinantes. “Sei que a infraestrutura poderia melhorar. Que é arriscado. Mas trânsito hoje não faz mais parte da minha lista de problemas”.


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